Funcionário público é vagabundo?

janeiro 27, 2010 | Serviço Público

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A visão que a grande maioria da sociedade tem do funcionalismo publico é que ganham bem e trabalham pouco. Isso é verdade?

Uma pesquisa do Dieese mostra que o salário médio no serviço público é quatro vezes maior que na iniciativa privada. São R$ 4.052 contra R$ 999. Só que está visão é falha, na realidade são poucos ganhando muito e muitos ganhando pouco. Auditores fiscais da Receita e do Trabalho e advogados da União iniciam a carreira ganhando entre R$ 13.067 e R$ 14.549. Isso é exceção, a grande maioria dos servidores públicos ganha o que o restante da população ganha, ou seja, pouco.

 Funcionário público é vagabundo?

São vagabundos?

Assim como em qualquer organização existem bons e maus profissionais. O mau atendimento é uma realidade na quase totalidade dos estabelecimentos, sejam eles públicos ou privados. Se pensarmos em chefes despreparados, em cargos atribuídos por “coleguismos” e privilégios dados a alguns poucos, isso ocorre no serviço público como nas empresas privadas, nada é diferente.

A pressão por resultados, o excesso de serviço e a falta de material e tecnologia adequada para o bom desempenho da função é igual no serviço público como nas empresas privadas.

 Funcionário público é vagabundo?

O que muda então?

Diferente das empresas privadas que vão até onde a lei não as proíbe, as organizações públicas fazem apenas o que a lei as autoriza; e aí está o grande problema, a lei é antiga, retrógrada, mal redigida e burocrática. O servidor público não pode fazer nada. Ele não vai arriscar seu emprego fazendo algo ilegal, mesmo que sendo o certo a se fazer, e correr o risco de ser processado e mandado embora. Por isto, muitas vezes, o serviço não anda.

Ainda existe o profissional mal preparado e sem aptidão alguma para a função que exerce. Como os concursos públicos cobram teoria e a teoria na prática é outra, acabam selecionando candidatos com ótimo preparo intelectual, porém com inteligência social e emocional péssimas. No dia-a-dia, todos sabem que a inteligência quase sempre é menos importante que o bom senso, que a empatia e a boa vontade. Acontece muito de um profissional com uma inteligência suprema e um mau humor proporcional a sua inteligência ter que atender pessoas no balcão e é claro que isto não da certo.

Como mudar isto então?

O governo federal tem procurado melhorar a qualidade na prestação do serviço público e, em minha opinião, tem obtido sucesso, mesmo que a passos de tartaruga. Nos últimos anos a qualificação do servidor público tem aumentado significativamente, o atendimento ao público tem sido feito com mais profissionalismo e alguns procedimentos estão, aos poucos, sendo menos burocráticos e mais simples.

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 Funcionário público é vagabundo?

O governo começa a estudar uma política de gestão por competência, o termo não é novo, mas colocá-lo em prática que é o complicado.

Os concursos estão sendo mais bem elaborados, tem-se buscado uma aproximação do que é cobrado na prova com a função a ser exercida pelo futuro servidor. Os editais também são mais claros ao relatar o que se espera do servidor.

Agora cabe também ao cidadão ter uma maior consciência que o serviço público é um serviço igual a qualquer outro, que deve ser prestado com dedicação. Muitos estudam para passarem em concursos já pensando que vão trabalhar pouco e vagabundear bastante – com esta mentalidade fica difícil algo dar certo.

Para concluir, já escrevi muito, duas coisas, no meu modo de ver a situação, são fundamentais:

1)      A população cobrar um bom atendimento, fazer valer seus direitos. Porém também ser paciente, entender que muitas vezes o culpado é o sistema e não o servidor que lhe atende. Devemos cobrar o governo por mudanças nas leis, por um plano de melhora efetiva na prestação dos serviços públicos.

2)      O cidadão que ingressar na carreira pública estar ciente que este é um serviço igual aos demais; não usar a estabilidade como muleta. Sempre se fazer a seguinte pergunta: Com a qualificação e experiência que tenho hoje estaria empregado no setor privado com o mesmo salário que ganho aqui? E se a resposta for não ele deve ir se qualificar, aprimorar conhecimentos e buscar ser digno do salário que recebe.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador, pós-graduado em Gestão Pública. Um libertário convicto, talvez anarquista. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação. No Twitter @efetiv

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  • Pingback: É bom ser funcionário público? « Efetividade

  • http://www.saibre.com.br Ronaldo Faria Lima

    Excelente artigo. Eu vivo de perto com a realidade do serviço público pois minha mulher é servidora. Ela é defensora pública e a carga de trabalho dela chega a ser insana, algumas vezes trabalhando sábados, domingos e feriados.

    Como você disse no seu artigo, há bons e maus profissionais no serviço público como em qualquer lugar. No geral, o que eu vejo é que falta assessoria decente ao serviço público, principalmente na área de tecnologia da informação.

  • Jônatas R. Silva

    O tema é complicado e polêmico Ronaldo. Muitos querem generalizar, mas na verdade cada caso é um caso.
    Abraço

  • Hebert S. Mota

    Bom posso dizer que eles sao vagabundos mesmo, na minha familia por exemplo eu tenho um irmao oficial de justiça que trabalha em Ribeirão das Neves (grande BH), e ele nem se quer vai la coisa de uma vez por semana e olhe la, minha outra irma e fiscal da prefeiura de BH ela sai para trabalhar em torno de 9:00, 9:30 e quando ja é antes de 12:00 ela ja esta de volta em casa, uma prima minha e da vigilancia sanitaria e tambem e no mesmo esquema uma vergonha!!!!

  • Jônatas R. Silva

    Olá Hebert,
    Obrigado pela visita e comentário.
    Realmente encontramos de tudo no serviço público. Bons e maus profissionais.
    Mas acredito que aos poucos a prestação do serviço está melhorando.

    Abraço

  • http://Efetividade???? Nazz

    Por que um funcionario publico precisa de efetividade? Se pudesse ser despedido como nas organizações privadas, muita coisa ja teria mudado para melhor, independente de esperar as leis serem reformuladas……abaixo esta efetividade, a não ser quie seja pela competencia

  • Jônatas R. Silva

    Olá Nazz,

    Obrigado pela visita e comentário.
    Concordo com você. Mas, infelizmente a legislação não diz isso.

    Abraço!

  • Lima

    A estabilidade no emprego não é o problema do serviço público. Falta é uma boa gestão que tire o que ha de melhor nos servidores, aumentando assim, a produtividade. Colaca-se muito a culpa nos servidores, mas não vejo a inciativa privada prestar um serviço de excelência. O Procom está cheio de reclamações contra empresas privadas; no dia a dia de todos nós é possível constatar isso. Para se obter uma boa produtividade não é necessário a figura de um feitor, nem do fatasma da demissão. Esse tipo de prática, inclusive, é  motivo de adoecimento e injustiças na iniciativa privada. A produtividade a qualquer custo, está fazendo operadores de telemarkting ir parar em manicômios.

    Não vejo na forma de produção privada ( com algumas exceções) autoridade alguma para falar em produtividade no setor público.

    quanto ao exemplo que foi dado pelo colega sobre os familiares dele que vadiam mais do que vão ao trabalho, o cerne da questão não é o fato de serem funcionários públicos, mas o fato de serem da mesma família.

  • http://www.efetividade.blog.br/2010/03/03/as-organizacoes-vistas-como-cerebro/ Jônatas R. Silva

    Oi Lima,
     
    Obrigado pela visita e comentário.
    Concordo com você. O difícil é se fazer uma gestão eficaz se não há servidores com esse perfil, não se faz omelete sem ovos.
    Falta no serviço público servidores com uma visão mais ampla do todo, alguém mais gestor e menos executor, alguém disposto a questionar a regra e realizar mudanças, alguém com uma visão mais cerebral.
    Lhe recomendo a ler esse texto [http://www.efetividade.blog.br/2010/03/03/as-organizacoes-vistas-como-cerebro/] que escrevi há alguns meses.
    Abraço!

  • Edmar

    tem que acaba com a estabilidade dessa gente!  e limita salário!!!   é absurdo que metade de tudo que se arecada vai para pagar serviços de pessima qualidade!!!  não temos segurança educação saúde……………….estradas……….E GRANDE PARTE DESSA SITUAÇÃO É DA ESTABILIDADE QUE ACOMODA ESSA GENTE!!!

  • Jônatas R. Silva

    Oi Edmar,

    Obrigado pela visita e participação.
    A grande maioria dos servidores são vítimas. São poucos ganhando muito e toda a classe leva a fama.

    Abraço!

  • Felipe

    Essa história de permitir que o funcionário público seja demitido ao bel prazer, como no âmbito privado, não cola. Se for assim, o governante faz um concurso público e demite todo mundo até chegar naquele amigão que ficou em 30º lugar. Pensem um pouco.
    Com relação à carga horária, isso geralmente independe do servidor, já que ela é definida pelo edital do concurso e controlada pela autoridade responsável.
    Agora falando da questao das leis, isso sim é uma realidade. O funcionário tem as atribuições dele. Sair dessa zona pode significar desvio de função, ou até mesmo criar conflitos de interesses (inclusive políticos) numa repartição pública. Além disso, vários procedimentos devem seguir à risca o que manda a lei (licitação pela lei 8666/93, por exemplo), sob o risco de ser aberto processo administrativo caso fuja da determinação legal.
    Sem falar na questão dos estágiários que lotam as repartições públicas. Ótimo artigo, Jonatas!

  • Jônatas R. Silva

    Felipe,

    Obrigado pela rica contribuição. Sim, estagiários realizando função de servidores tem sido um grande problema nos setores públicos.

    Abraço.

  • Thiago

    Nossa só no Brasil mesmo para encontrar pessoas com a fantasia de que tirar vantagens(estabilidade, limitar salário) dos servidores serve para melhorar os serviços públicos. Literalmente:”Quanta ignorância!!!”

  • Jônatas R. Silva

    Olá Thiago, obrigado pela participação.
    No Brasil o que falta mesmo é educação, um cidadão educado, em regra, tem uma postura diferente em todos os sentidos.

    Abraço.

  • José

    Caro,
     
    Também pretendo me tornar funcionário público, estou apenas trabalhando para terminar meu bacharelado e prestar um concurso público. Navegando em outros cantos descobri um blog interessantíssimo que fala do cotidiano do serviço público federal, do amadorismo que permeia o serviço público, das razões por que pouca coisa “anda” de acordo. no link “Download” tem o documento completo. É uma tese de doutorado, mas é muito acessível e bem escrita.
     
    O link:
     
    http://ocotidianodaburocracia.com.br/

  • Jônatas R. Silva

    Olá José,

    Boa sorte na sua jornada em busca de um emprego público.
    Vou acessar o site indicado, obrigado.

    Abraço.

  • Analicepierre

    Vc “autor” faz parte de uma autêntica corja de sanguessugas burocrátas que alimentam este sistema de podridão nessa “sociedade patológica” de conformismo em que vivemos.

  • http://www.efetividade.blog.br Jônatas R. Silva

    Oi Analice,

    Falou bonito, mas como mudar? O que você tem feito para mudar?

  • Jmachado

    Eu tinha uma visão totalmente diferente do serviço publico ; hoje faço parte dele, atuo na area operacional, ligado a saneamento :/agua / e esgoto e percebo os entraves que não da total mobilidadea aos departamentos . O NOSSO TRABALHO JA TEM RECONHCIMENTO ATE NO EXTERIOR !…TEM MUITA COISA BOA…!

  • http://www.efetividade.blog.br Jônatas R. Silva

    J Machado, a coisa do lado de dentro é bem diferente quando vista de fora.
    Abraço.

  • http://www.facebook.com/people/Andre-Farias/100000732379621 André Farias

    Uma vez perguntei a um Juiz de Direito o que ele achava da estabilidade, como disposto na lei 8112. Ele foi categórico: Quando o legislador pensou nisso, sua intenção era PROTEGER o bom servidor do MAU administrador (cargo político).

  • http://www.efetividade.blog.br Jônatas R. Silva

    André,
    A ideia é boa, mas na prática não funciona tão bem.

  • Gerson Pailhe

    Carái, véi. Isso não é problema de funcionário público não. Presta atenção que é a sua família que não presta !!!

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