25 de junho de 2019

A Expansão Monetária e o Livre-mercado

Nos últimos artigos explanei sobre a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira e sobre a Política Monetária e a Taxa de Juros.

O objetivo do texto de hoje é mostrar como a expansão monetária artificial é contrária a um livre-mercado.

Primeiro é importante lembrar que a moeda é a representação física ou eletrônica para a troca de riquezas. Também tenha em mente que as riquezas não possuem valor intrínseco, sua valoração é atribuída por sua escassez e utilidade com vista ao valor marginal atribuído pelo indivíduo. Um produto ou serviço tem seu preço aferido por um mercado comprador que não considera os custos de produção para precificá-lo. É claro que um empresário só irá ofertar ao mercado um bem que seu preço de venda seja superior ao seu custo marginal. Caso contrário ele terá prejuízo. Porém, não é possível precisar, e sim apenas estimar, seu valor de mercado. Assim toda atividade empreendedora implica em riscos, pois seus custos são projetados com exatidão, enquanto seu preço de mercado é apenas estimado.

A expansão da base monetária realizada pelo governo como forma de aquecer a economia e defendida pelo mainstream econômico é na verdade uma expropriação da riqueza, pois a injeção de mais moeda na economia apenas gera inflação que tem como consequência o aumento generalizado dos preços e assim a redução do poder de compra.

O aumento da oferta de moeda provoca uma desordem econômica e não soluciona problemas econômicos e muito menos gera crescimento. Seus efeitos iniciais são até benéficos: geração de empregos e expansão econômica. Isto garante votos na próxima eleição. Mas logo a consequência mais catastrófica é percebida: hiperinflação.

Money Supply A Expansão Monetária e o Livre mercado

Expansão da base monetária (clique para ver ampliado o gráfico)

Expandir a base monetária e assim reduzir os juros artificialmente causa um descompasso produtivo econômico. Ainda mais quando se incentiva o consumo através da isenção de impostos em setores específicos. Explico. Ao ofertar mais moeda ao mercado os juros caem e o cidadão pode comprar mais pagando menos. Com a isenção de impostos ele paga ainda menos (mas apenas nos produtos favorecidos pelo protecionismo do governo). Isto leva a uma reanálise de escolhas pelo individuo, sua escala de valor e preferência é alterada pela interferência do Estado e não pela livre concorrência do mercado. Assim alguns setores, os beneficiados, receberão um volume grande da nova moeda em circulação, e setores não privilegiados terão que reduzir a margem para poder vender. Um exemplo: Grandes construtoras passariam a vender mais apartamentos e o preço dos alugueis cairia (talvez uma queda relativa e não absoluta), pois mais famílias passariam a ter casa própria e, portanto a demanda por casas de aluguel seria menor. O governo com sua ação intervencionista interferiu no livre-mercado, beneficiando construtoras em detrimento ao investidor que construiu casas para alugar. Esse fenômeno de realinhamento será notado em toda a economia, atrapalhando os planos do empreendedor que havia projetado seu negócio com base em um cenário que foi alterado artificialmente, e não por uma ordem espontânea do mercado.

E este é um dos motivos porque é tão difícil atrair investidores para o Brasil, os cenários mudam forçosamente por políticas de proteção, com uma roupagem de “políticas de incentivo”, impostas pelo governo.

A expansão monetária gera uma descoordenação econômica.

Um crescimento econômico real acontece com investimento e incentivo a educação. Este proporcionando a criação e inovação de produtos e serviços. Com políticas claras e não protecionistas, permitindo assim o real livre-mercado. Com redução de impostos de forma holística e redução dos gastos do governo em quantidade igual ou superior à redução dos impostos. Investimento em infraestrutura também é fundamental.

Estancando a expansão monetária teríamos uma forte recessão e desemprego, mas seria a conta de políticas descabidas impostas pelo governo durante anos e anos. Mas depois da tempestade e com as ações do parágrafo acima teríamos crescimento forte e sustentável.

Boa semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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