26 de junho de 2019

Comento o discurso de 1º de maio de nossa presidente Dilma

O discurso da presidente Dilma no dia de ontem foi uma verdadeira piada de mau gosto. Ela começou logo com uma frase de impacto: “o Brasil passou a ser mais Brasil quando o brado por mais emprego, mais salário e mais comida deixou de ser um grito solitário dos trabalhadores para ser a voz e o compromisso de toda uma nação.”

Falou que nos brasileiros temos a alegria de comemorar nos últimos anos o 1º de maio com recordes sucessivos no emprego, na valorização dos salários e nas conquistas sociais dos trabalhadores. Afirmou que nada ameaça nossas conquistas.

Sra. Dilma e nossa inflação fora de controle? E os salários baixíssimos dos trabalhadores que são consequência da baixa educação do trabalhador brasileiro?

Usar “instrumentos eficazes para ampliar o emprego e o salário” se traduz por intervenções na economia e ampliação da base monetária gerando mais inflação, porém com a criação de empregos funcionais.

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Ela afirmou que a partir de agora vai priorizar como nunca o instrumento que mais amplia o emprego e o salário: a educação. É sério? Então irá triplicar o salário base de todo professor do ensino fundamental e médio? O governo passará a tratar a educação como prioridade e acabará com a palhaçada da progressão continuada? Deixará de fazer caridade apenas no ensino superior e investirá maciçamente na infraestrutura das escolas públicas?

Doeu meus ouvidos ouvir a presidente afirmar que o Brasil avançou muito nos últimos anos por causa de políticas econômicas corretas e políticas sociais profundas. Um único poste no lugar de toda a equipe econômica do governo teria feito melhor. Assistencialismo puro virou política social.

Há reconhecimento internacional que temos as políticas sociais mais amplas do mundo disse nossa presidente. Isto é fato. Mas quem lhe falou que é bom?

Com programas de transferência de renda já tiramos mais de 36 milhões de brasileiros da miséria. 40 milhões ascenderam à classe média. Sim é verdade, afinal para ser classe média a renda per capita mensal é de R$ 291. Vamos diminuir o valor para R$ 50 que assim o Brasil todo se torna classe média. O que acha?

O Brasil foi o país que mais reduziu os índices de desemprego. Mas os empregos criados pagam salários de fome. O salário médio do trabalhador brasileiro é menor que o seguro desemprego europeu. É preferível ser um desempregado na Espanha que um empregado no Brasil. O nosso ciclo atual já foi vivido pelos países da Europa: ampliação artificial da economia e gastos excessivos do governo. O futuro é de forte recessão e amplo desemprego. É o caminho que o Brasil está seguindo.

Gerar emprego funcional não adianta.

Este governo irá continuar firme na luta pela diminuição de impostos. Mentira. Redução pontual de impostos com intenções políticas não vale. Queremos ver uma reforma tributária. Nossos impostos são pornográficos.

O governo não irá descuidar do combate a inflação. Realmente não irá, pois já a abandonou faz tempo. É triste ver a presidente afirmar que não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica e do nosso modelo de distribuição de renda. Ou seja, vamos continuar expropriando de alguns, colocando grande parte em nosso bolso através de salários cada vez mais altos e ampliação de nossas regalias, e o que sobrar damos aos mais pobres através de assistencialismo demagogo e assim garantimos os votos necessários para continuarmos governando.

O discurso da educação foi bonito, apelativo e emocional. Lorota pura. Nosso governo nunca teve a educação como prioridade. Gerar mais vagas não melhora a educação, apenas amplia vagas de um modelo fraco e não eficaz.

Duro também é ouvir a falsa intimidade com palavras como “minhas amigas e meus amigos”. Não somos amigos!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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