16 de janeiro de 2019

Como pagar as dívidas?

ID 10034914 150x150 Como pagar as dívidas?As histórias das famílias endividas são semelhantes, em geral elas tem dividas que somadas perfazem duas ou três vezes a receita mensal recebida. Devem no cartão de crédito, no cheque especial e possuem boletos em atraso.

Elas verdadeiramente desejam pagar as dívidas assumidas, mas realmente não sabem como.

Para começar a resolver o quebra-cabeça é preciso reunir todas as peças. O endividado precisa anotar o valor de cada dívida atrasada e a taxa de juro praticada em cada uma delas. Deve-se pagar primeiro não a dívida maior, e sim a mais cara, ou seja, aquela que tem a maior taxa de juro. Este é o primeiro passo, numerar as dívidas pelo valor do juro praticado e pagar primeiro a mais cara.

O mais aconselhável é ir ao banco no qual se possui conta e negociar com a gerência. O banco assume todas as dívidas e passa-se a dever a um único credor: o banco.  No banco você negocia parcelas mensais que realmente consiga saldar. Pergunte a taxa de juro e barganhe uma taxa menor. Nunca a primeira oferta é boa, o gerente já espera o choro do cliente e sempre tem margem para baixar um pouco mais.

Você sabe o valor que pode dispor mensalmente?

Para responder à pergunta você deve ter um fluxo de caixa com suas despesas fixas mensais e a média das variáveis. Deve saber precisar quanto gasta no mês para saber qual o valor máximo da parcela que poderá assumir. Seja realista, não adianta austeridade total, deixe saldo em seu fluxo de caixa para gastos com lazer e para emergências: uma torneira ou chuveiro que precisa ser trocado, um remédio para gripe, um pneu furado do carro, etc.

Ao negociar com o gerente do banco você deve ter em mente o valor máximo que pode pagar em cada parcela.

Se a dívida couber dentro do seu orçamento, ótimo. Caso contrário é necessária outra medida. Uma boa estratégia é refinanciar o próprio carro. Se o valor do veículo é, por exemplo, R$ 20 mil, e sua dívida total em cartão de crédito, cheque especial e boletos de R$ 10 mil, você pode saldar a dívida dando o carro como pagamento e refinanciando o próprio automóvel. A vantagem desta engenharia financeira é que se paga menos juros, pois o lastro da dívida passa a ser o automóvel. É como se você tivesse vendido o carro por R$ 20 mil, usado R$ 10 mil para quitar todas as dívidas e recomprado o próprio carro financiado, com entrada de R$ 10 mil. Na prática a manobra financeira é esta.

Caso a dívida for muito maior, esta manobra pode ser feita com a casa ou apartamento.

Ainda a família endividada pode optar por realizar um bazar e vender alguns objetos ou roupas. As pessoas costumam descartar essa recomendação por terem que assumir publicamente que estão em dificuldade financeira. Bobagem. Tenho a certeza que aqueles que irão criticar estão em situação financeira semelhante. Não dê atenção ao status social, pois ele não paga suas contas.

As pesquisas tem mostrado que 50% das dívidas atrasadas são no cartão de crédito. As pessoas ainda não se conscientizaram que dever no cartão é suicídio financeiro, o juro é altíssimo. Não tenha vergonha de ir ao banco e pedir um empréstimo, é mais saudável.

Agora o que tenho notado nas famílias é que elas vivem um padrão que não são capazes de sustentar. Uma casa grande num bairro nobre proporciona maiores gastos. Escolha morar num lugar mais simples e menos luxuoso.

Com o automóvel o mesmo raciocínio é válido. Para que um carro com motor 1.8, 4 portas, trio elétrico, roda de liga leve e som de primeira linha? Um carro 1.0, duas portas e com alguns anos de uso leva você para os mesmos lugares. A diferença é que ele cobra bem menos para isto.

Seguir a moda só tem levado as famílias a se endividarem cada vez mais. Mude o foco do prazer, saia do ter e consumir para algo mais focado nas coisas simples da vida, como estar na companhia de alguém que você goste, por exemplo.

Boa quinta-feira!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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