14 de novembro de 2018

[guest post] Os bancos nunca estiveram tanto em suas mãos

Parece que todo mundo já percebeu que a vida das agências bancárias está com os dias contados. Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que as operações financeiras nas agências caíram de 12,6% em 2007 para 10,9% em 2011.

Apesar de esses serem os números mais recentes disponíveis, eles ainda não incorporaram totalmente o boom do mercado de smartphones dos últimos anos. No ano passado, as operações via Internet e Mobile Banking responderam por mais de 41% de todas as transações, também de acordo com a Febraban.

Nos Estados Unidos, o pesadelo tão temido pelos bancos brasileiros já é uma realidade. Também em 2012, o número de usuários de aplicativos de bancos quase dobrou, aproximando-se de 14 milhões. Como consequência, mais de mil agências físicas foram fechadas, de acordo o The Wall Street Journal.

Mas os bancos brasileiros não se preocupam à toa. Hoje o país conta com quase 23 mil agências físicas. Assim, falar sobre as perspectivas de fechamento desses postos de atendimento significa antever um grave problema: o que fazer com todos os funcionários que trabalham hoje nesse canal de atendimento? Isso sem falar nos impactos sobre o fluxo de caixa.

Polêmicas à parte, o fato é que essa nova realidade do mercado bancário impulsiona inovações tecnológicas. O Banco do Brasil, líder do setor no Brasil, abriu recentemente as portas de sua “agência do futuro”. Em fase de testes, o projeto está em funcionamento no coração da cidade de São Paulo, em plena Avenida Paulista.

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O BB acredita que as agências do futuro serão mais parecidas com supermercados. Sem passar por portas giratórias ou detectores de metais, os clientes simplesmente entrarão no estabelecimento e poderão escolher produtos expostos em prateleiras. Seguros e consignados serão apresentados em filmes explicativos ao longo do expediente, que será bem maior que o atual: das 7h às 23h.

Nos EUA, entretanto, as apostas tecnológicas são um pouco mais ousadas. Desde 2009, está em funcionamento uma empresa que pode até parecer um banco, mas não é. O Simple nasceu com um único propósito: acabar com a burocracia tradicionalmente conhecida no setor bancário (é, pelo jeito, não é só aqui).

Esqueça as agências físicas! A interface do Simple é totalmente digital, contando apenas com duas versões: aplicativo para celulares e web. A regra é o oferecimento de serviços online, ilimitados e gratuitos como compras a débito, transferências e saques em qualquer terminal ATM.

Mas o melhor mesmo é a adaptação das operações bancárias tradicionais. Um cheque, por exemplo, pode ser descontado na hora: basta tirar uma foto dele com a câmera do seu celular e esperar alguns minutos até que o crédito entre na conta. Pronto! Nada de envelope, dados da conta e esperar dois dias até os funcionários checarem se o conteúdo está OK.

A interface simplificada permite ainda a união de ferramentas de planejamento financeiro, em uma clara iniciativa para estimular um uso mais consciente do dinheiro. Com o Simple, você pode ainda estimular metas de poupança, como a viagem das próximas férias ou a compra de um carro, e acompanhar sua evolução em direção a elas dia após dia.

Atualmente, a empresa atende cerca de 35 mil clientes, mas jura que possui mais de 500 pedidos de cadastro em espera. Por enquanto, não é qualquer um que pode ter acesso ao Simple. Os interessados devem preencher um formulário no site e aguardar o contato.

É, o céu é o limite para as inovações neste mundo cada vez mais online! E, consequentemente, novos desafios se anunciam. A tendência agora deve ser o fortalecimento cada vez maior da segurança nas transações online. E se antes o foco dos bancos era apenas o Internet Banking, eles agora têm mais um canal de atendimento para proteger…

Você, por acaso, tem um antivírus instalado no seu smartphone? São preocupações que nós, e eles, passarão a ter cada vez mais daqui para frente. Faz parte do pacote.


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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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