26 de junho de 2019

[guest post] Por que o serviço público atrai no Brasil.

CONCURSO PÚBLICO 150x150 [guest post] Por que o serviço público atrai no Brasil.Texto escrito pelo Administrador Bruno Saavedra, editor do blog Opinião de Administrador.

Estima-se que 12% da população economicamente ativa no Brasil esteja ligada ao serviço público. O número de cursinhos preparatórios aumentou bastante, inclusive para concursos cujos editais sequer saíram. Muitas críticas são feitas ao serviço público brasileiro, mas a atração que ele exerce é notável.

Longe de criticar essa atração e sem querer entrar no mérito do que fazer para tornar o Estado mais eficiente em sua prestação de serviço à sociedade, gostaríamos de elencar quatro hipóteses para essa forte atração que o serviço público exerce sobre o trabalhador brasileiro.

Melhores salários

A forte impressão de que no serviço público o trabalhador terá maiores salários que na iniciativa privada é reforçada pelos editais divulgados. Isto ocorre por, pelo menos, dois motivos. Primeiro, os órgãos públicos têm um regime de trabalho diferente da CLT (exceto as sociedades de economia mista e empresas públicas) e, por possuírem menos encargos incidindo sobre sua folha de pagamento, podem aumentar o valor nominal da remuneração.

Outro motivo é sua expectativa de receita certa – tributos – que permite maior possibilidade para prever o quanto uma folha de pagamento pode ou não pesar em suas despesas. Isso permite que eles sejam menos atingidos pelas sazonalidades do mercado e possam planejar melhor os reajustes.

Estabilidade

Esta é uma das maiores motivações para se entrar no serviço público. A certeza de que você não será demitido pelo humor do mercado ou do superior imediato permite que aquele que está no serviço público consiga pensar melhor no longo prazo. Se há uma certeza no mundo é que teremos crises. Nestas circunstâncias, estar com seu barco ancorado em um porto seguro traz tranquilidade.

Vida pessoal

Outro fator que atrai para o serviço público é a percepção que os “concurseiros” têm de que terão mais condições de compatibilizar sua vida profissional com a pessoal. Não se pode confundir isso com a busca pelo comodismo, ainda que existam aqueles que querem simplesmente isto.

Contudo, a busca aqui é por um horário mais estável, um salário que lhe permita morar mais bem localizado, melhor escola para os filhos, um fim de semana mais à vontade. Não são poucos os que querem conquistar um emprego público por desejarem maior plenitude na vida que transcende o local de trabalho.

Sensação de meritocracia

Este fator pode parecer estranho a alguns, mas ele de fato existe. Num país onde o serviço público tem fama de não ser meritocrático, muitos daqueles que fazem as provas sentem que estão disputando uma vaga de igual para igual com outros candidatos.

Há a sensação de que fatores subjetivos ficam de fora, e que o concursando está sendo julgado por critérios objetivos. Não contariam a oportunidade de cursar as melhores escolas, ou ter nascido em família privilegiada, ou ainda de ter uma excelente rede de contatos ou mesmo encarar um entrevistador que justamente naquele dia não está de bom humor. No momento da seleção, a competência e o conhecimento é que estarão sendo avaliados.

É claro que essas são hipóteses, algumas mais fortes, outras mais fracas. Contudo, qualquer um que está em um curso para concurso, ou conhece alguém que está, sabe que estas impressões de fato existem na cabeça do concursando.

Não adianta a iniciativa privada se queixar. Em um mercado competitivo, a disputa por profissionais é sadia e “valoriza o passe” dos melhores. As empresas, por meio de suas entidades de classe, deveriam mobilizar o governo para que pudessem oferecer melhores os salários. É necessário também construir uma cultura que valorize os trabalhadores sem trocá-los no primeiro momento de crise, além de tornarem mais transparentes seu processo de contratação e demissão, observando de forma clara como contribuir para melhorar a vida pessoal dos seus colaboradores.

Se elas estão perdendo seus talentos para o serviço público, é porque talvez não estejam atentando suficientemente para os fatores acima elencados.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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