25 de junho de 2019

Inflação: uma espécie de imposto que afeta mais os mais pobres

A inflação de preços é a perda do poder de compra do dinheiro.

São muitos os fatores que elevam o preço de um produto ou serviço causando a tão indesejada inflação. Mas não há dúvida alguma que o governo é o principal responsável. Responsável por imprimir dinheiro sem lastro. Mais dinheiro disponível sem oferta correspondente de produtos e serviços os preços sobem por haver muita procura e pouca oferta. A lógica é muito simples: se tenho menos produtos a vender que compradores interessados eu elevo o preço e lucro mais. Simples assim.

A solução é aumentar a oferta de produtos e serviços. Para isso a indústria precisa ser mais produtiva. Para ser mais produtiva ela precisa de trabalhador qualificado. Para haver trabalhador qualificado é preciso de educação de qualidade. Não temos educação de qualidade.

Uma solução contra a inflação é investir em educação. Mas o resultado não é imediato e pouco interessante como estratégia política. Falar de educação quando se está em campanha é uma boa estratégia, investir de fato quando eleito não. Por isso ouvimos muito do primeiro e vemos pouco do segundo.

Mas por que o governo imprime dinheiro sem lastro?

Teoricamente para investir em saúde, saneamento básico, moradia e na geração de emprego. Mas de fato isso ocorre apenas para garantir votos nas eleições.

inflacao Inflação: uma espécie de imposto que afeta mais os mais pobres

Imagine que você vá ao banco e faça um empréstimo; compre casa, mobilhe a casa, e compre um carro. Na visão de seus vizinhos você está bem de vida, afinal comprou casa, móveis e carro. Mas a verdade é que você não comprou e sim financiou pagando juro. Poupar, investir e comprar à vista é a atitude mais saudável, porém menos vistosa. Quando se poupa diminui-se o consumo de hoje para se consumir mais no futuro. Também quanto mais pessoas estão dispostas a poupar deixando de consumir menor o preço dos produtos e serviços. É a mesma lógica que mostrei acima, só que invertida. Teremos menos pessoas demandando produtos, aí as lojas para atraírem mais compradores se veem obrigadas a reduzir preços.

Perceba que o governo gasta o que não tem para impressionar o cidadão e este votar nele. E isso inflaciona o país.

Mas os salários são corrigidos pela inflação!

É verdade.

E isto favorece os mais ricos e prejudica os mais pobres. Explico o porquê:

A inflação é uma média dos principais produtos consumidos pelos brasileiros. E a média sempre é burra. Os produtos que mais sobem de preço são os essenciais, já os supérfluos tendem a subir com menor voracidade. Por não serem essenciais as pessoas deixam de compra-los e por isto eles sobem menos. Assim que o pobre é prejudicado. A inflação é a média, e os salários são corrigidos por esta média. Mas o que o pobre mais consome tem um aumento de preço acima da inflação e, portanto ele é mais prejudicado tendo seu poder de compra reduzido. Já o mais rico leva vantagem, pois também tem seu salário reajustado, mas sua inflação percebida é menor, pois os produtos essenciais representam uma fatia menor de sua renda e sobra mais dinheiro para o consumo de supérfluo e luxo.

Neste texto abordei apenas uma causa da inflação e o porquê de ela ser uma espécie de imposto ao pobre. Quando um governo gasta em excesso alegando ajudar os mais pobres é o mais puro engodo.

Como afirmam os mais velhos, dinheiro não dá em árvore. Gastar o que não se tem causa dois problemas: se paga juro e gera-se inflação.

Este mecanismo nefasto funciona por um tempo. Assim como o financiamento de casa e carro ostenta uma falsa evolução da pessoa, pois em algum momento a conta tem que ser paga, caso contrário ela tem seu nome inserido nos serviços de proteção ao crédito sendo os bens reavidos pela financiadora. Com um país as consequências são semelhantes, ele perde prestígio, tem sua nota de bom pagador rebaixada, deixa de atrair investidores estrangeiros e entra em recessão. Aí meu amigo, a vaca vai para o brejo.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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