25 de junho de 2019

O que tem gerado inflação!?

Ainda no final do ano passado, quando ficou definido que Henrique Meirelles deixaria a direção do BC e em seu lugar assumiria Alexandre Tombini, escrevi um texto explicando a visão monetarista versus a visão desenvolvimentista econômica. Leia o texto clicando aqui.

No texto afirmei que Meirelles tendia a uma política monetarista, enquanto o ministro da fazendo Guido Mantega é mais desenvolvimentista. Apesar de não conhecer o atual diretor do BC, Tombini, na época escrevi que ele parecia ter uma visão mais desenvolvimentista, e que eu preferiria o choque de ideias gerando sinergia, ou seja, alguém mais monetarista.

Hoje já está claro o alinhamento desenvolvimentista de toda a equipe econômica do governo Dilma, um alinhamento que não existia no governo Lula. A subida da SELIC em apenas 0,25 ponto porcentual mostrou que o governo não irá abrir mão do crescimento econômico para conter a inflação. Pelo menos não neste momento.

Juro mais alto contém o crescimento e desenvolvimento econômico, o que gera desemprego e faz o Brasil parar de crescer, ou mesmo ter um crescimento pífio do PIB. O aumento da taxa também atrai dinheiro especulativo o que valoriza cada vez mais o real frente ao dólar.

Antes do Plano Real o grande vilão causador de inflação era o próprio governo e seus gastos excessivos. O governo gastava demais e imprimia dinheiro para pagar a conta. Com muito dinheiro circulando a inflação era sempre alta.

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A situação hoje é diferente, não que o governo não gaste em excesso, mas já é bem mais controlado que no passado. Hoje temos a chamada inflação de demanda, onde temos muitos interessados em comprar um produto, aí, como já sabemos, mais procura que oferta gera inflação. Também temos hoje a inflação das commodities, o preço dos alimentos tem subido muito, isto, de certa forma, causado pelas mudanças climáticas que tem dificultado a agricultura. Também temos o combustível que não para de subir, e quando o preço do combustível sobe todos os demais produtos também sobem. O combustível influencia de forma direta ou indireta o preço de todos os produtos. Por quê? Porque todo o produto precisa ser transportado, e o transporte ficando mais caro, por causa do combustível caro, quem paga a conta, é claro, somos nós consumidores finais. Outro vilão da inflação é o aumento real do salário mínimo. Esse tem efeito cascata. O salário sobe e todo o comércio aumenta seus preços.

Entendo eu, e tenho uma visão econômica mais monetarista, que elevar a inflação é ainda o melhor remédio no curto prazo. Inclusive comentei isto tanto no blog do amigo Guilherme, o Valore Reais, como no blog Finanças Inteligentes. Achei a subida da SELIC muito tímida, e neste momento, na minha visão, as medidas precisam ser mais drásticas. Não vive na época dos juros galopantes do Brasil, mas quando converso com pessoas um pouco mais velhas que viveram de perto este período brasileiro, todas são unanimes em afirmar: Pelo amor de Deus, inflação não!!!

Agora também cabe a nós, população, aprendermos a ajudar o governo no controle da inflação, afinal, cada vez que gastamos mais do que arrecadamos fazemos igual ao governo, temos que imprimir mais dinheiro para pagar as dividas. E como não podemos imprimir dinheiro, não somos governo, somos cidadãos, resta-nos fazer empréstimos e assim como o governo fazia faz, ajudar na geração da inflação.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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