25 de junho de 2019

Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Fundos DI. No que investir?

tabuleiro de xadrez 150x150 Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Fundos DI. No que investir?Na última semana a SELIC foi reduzida a 9% ao ano. A redução já era esperada e não houve grandes acontecimentos econômicos por conta da mudança. O único fato relevante anunciado é uma nova redução das taxas de juros praticada pelos bancos do governo: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

É possível nova queda da SELIC?

Em termos econômicos tudo é possível, mas sinceramente eu não acredito. Isto porque com a taxa em 9% ao ano, temos nos investimentos em renda fixa acima de 720 dias uma rentabilidade efetiva de 7,65%, isto sem levar em conta os possíveis custos de investimento. A caderneta de poupança rendeu no acumulado de 2011 7,50%.

Isto quer dizer que se a SELIC cair ainda mais a caderneta de poupança passa a ser um melhor investimento quando comparada ao Tesouro Direto e a um CDB que pague 100% do CDI.

Para reduzir ainda mais a SELIC se faz necessário mexer na forma que a caderneta de poupança remunera, e os brasileiros sofrem calafrios somente de ouvir falar em mudanças na caderneta de poupança. Isto porque em 1990 o então presidente Fernando Collor custodiou o valor aplicado no investimento e todos os brasileiros que tinham valores investidos nesta modalidade ficaram sem poder fazer retiradas. Foi um caos geral, e daí para frente todo governo fica receoso em fazer alterações na fórmula de remuneração do investimento mais conhecido do brasileiro.

Outro problema é que o governo usa o Tesouro Direto para rolar dívidas. Caso o investimento deixe de ser atrativo ele para de arrecadar e passa a somente a pagar o que deve. Como o governo não fez o curso básico de educação financeira e sempre gastou além da conta, ele precisa dos valores captados através do TD para fechar as contas ao final do mês.

Divida não se paga. Divida se rola.

Ex-ministro Delfim Neto

O Tesouro Direto ainda apresenta bons títulos?

Quem investiu em títulos do Tesouro Direto há alguns anos está bem contente. Já hoje ele é pouco atrativo. Atualmente eu só investiria em NTNB e NTNB Principal com vencimentos de longo prazo, aquelas com vencimento em 2020 ou mais à frente. Estes títulos ainda garantem uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação, de 4,5% ao ano (menos custos). Creio que estes títulos terão remuneração cada vez menor nos próximos anos. Na verdade isto já vem acontecendo, quem investiu no Tesouro há 10 anos recebe remunerações bem mais atrativas.

CDB?

Para conseguir uma remuneração acima do CDI nos grandes bancos já era necessário aportar uma quantia bem robusta. Agora que todos eles reduziram o spread e estão cobrando juros menores de seus clientes, acredito que como consequência também irão remunerar menos quem lhes emprestar dinheiro.

Porém pode ser que não, pois mais pessoas procurando crédito, mais dinheiro para emprestar se faz necessário, fazendo os bancos terem que captar mais e, portanto, remunerar melhor os investidores para assim atrair capital.

A resposta a esta pergunta veremos nos próximos meses.

Fundos DI

Já não são compensadores hoje com a taxa SELIC em 9%. Tendo que pagar Imposto de Renda e mais a taxa de administração ao fundo, a rentabilidade final será menor do que a da caderneta de poupança remunera hoje.

O investidor

O investidor brasileiro sempre teve ganho fácil e sem risco através da renda fixa. Por muitos anos a bolsa de valores não foi atrativa pelo simples fato de pagar menos que a renda fixa. Essa história está mudando. Quem quiser ganhar dinheiro nos próximos anos no Brasil terá que se expor mais a volatilidade da renda variável. Se considerarmos as taxas de investimento, o imposto de renda pago e a inflação, possivelmente investimentos atrelados à SELIC apenas garantirão o poder de compra do valor investido e não o multiplicarão como é a intenção de todo investidor. Eles apenas serão uma proteção contra o poder corrosivo da inflação.

Empreendedorismo

Enquanto a renda fixa brasileira proporcionava retornos líquidos de 11% ao ano sem risco, empreendedor no Brasil não era compensador. Para que correr o risco quando deixar o dinheiro parado e viver de juros é fácil? Se a política do governo de diminuir o spread bancário e a SELIC continuar, empreender será o caminho para fazer dinheiro, afinal o tomador poderá captar pagando menos juros e terá que arriscar mais, pois a mamata do ganho fácil na renda fixa acabará.

Isto poderá fazer o Brasil crescer de forma sustentável, onde os empréstimos sejam tomados para a geração de empregos através de novos empreendimentos ou a ampliação dos atuais. O cenário se mostra promissor.

Cabe também a nós consumidores sermos mais conscientes, pararmos de gastar por impulso, de fazer empréstimos para a compra de supérfluos.

O investimento em educação formal por parte das pessoas físicas alinhado à ampliação e criação de novos negócios pelas empresas pode gerar uma situação inédita e positiva em nosso país: criação de empregos e trabalhadores qualificados para preencher as vagas. Aí sim o Brasil cresce de forma sustentável. Empresas inovadoras surgirão e trabalhadores receberão mais por estarem qualificados para isto. Assim ele poderá consumir mais, o PIB cresce, o superávit cresce e a bola de neve positiva da economia rola.

Minha visão é otimista demais?

Conclusão

Alguns analistas falam em nova queda da SELIC em maio. Este texto já estava redigido quando assisti na Globo News (no domingo), num programa de entrevistas, economistas acreditando em nova queda de 0,5 ponto porcentual.

Li também agora o excelente texto do meu amigo Finanças Inteligentes: Poupança vai continuar a mesma de sempre. Ele afirma que a SELIC ficará em 9% e não sofreremos alterações na Caderneta de Poupança.

Minhas ideias vão ao encontro do que pensa o Finanças Inteligentes: SELIC permanece em 9% e a poupança fica como está. O ano é eleitoral.

Investir em Fundos DI não é bom negócio e o Tesouro Direto deve ser consumido com cautela. A Caderneta de Poupança é bom investimento (nunca pensei que faria tal afirmação). A exposição à renda variável se faz necessário para se buscar melhor rentabilidade: ações e Fundos de Índices Imobiliários.

Quer quiser ganhar dinheiro nos próximos anos terá duas opções: empreender ou se expor a renda variável. Ganhos atrativos em renda fixa estão com os dias contados.

Boa semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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