A chuva e o terremoto

Equipe Efetividade · 3 min de leitura
A chuva e o terremoto

Imagine uma chuva torrencial, ela cai forte e proporcional sobre toda a terra. É uniforme em toda sua extensão. Agora pense em um terremoto, ele é forte em seu epicentro e vai perdendo força ao se afastar dele.

Assim é o governo quando resolve lançar mão de suas políticas intervencionistas para regular o mercado. Ele não age de maneira uniforme como uma chuva, mas como um terremoto.

Quem está no epicentro e nos arredores da intervenção se beneficia. Quem está longe não obtém vantagem alguma e ainda pode ser prejudicado pelas mudanças nas preferencias de consumo causadas pelo terremoto.

O governo causa um terremoto ao baixar impostos dos automóveis. Beneficiando de forma direta as montadoras e de forma indireta toda sua cadeia produtiva (fornecedores de matéria prima). De forma menos intensa, pois não estão no epicentro do terremoto, mas mesmo assim irão senti-lo, estão os postos de gasolina que venderão mais combustível por haver uma maior frota de automóveis. E de forma menos latente teremos os estacionamentos e seguradoras de automóveis que fecharão mais contratos.

Agora, esta ação que beneficia um setor da indústria prejudica de forma direta os demais que não planejaram seus negócios contando com uma ação de furto do governo. Pois, ao verem o preço do automóvel reduzido consumidores mudam suas preferencias de consumo. Mudança não gerada de maneira espontânea por uma oferta no mercado, mas uma mudança gerada por um favorecimento do governo há um setor industrial. Um governo que deveria ser justo e igualitário, mas que agiu de forma discriminatória e arbitrária.

Um taxista vê sua receita reduzida, pois o cliente que fazia uso de seus serviços comprou um carro e deixou de andar de taxi. O dono do restaurante passa a vender menos refeições, pois seus clientes passaram a consumir menos, pois precisam pagar a parcela do carro recém-financiado.

Note que ações intervencionistas do governo não caem como uma chuva uniforme, mas como um terremoto. Ela modifica as preferencias de consumo dos consumidores. O governo com sua varinha mágica beneficia a quem quer em detrimento aos demais.

Uma pergunta. Por que tantas empresas são doadoras de milhões para campanhas políticas?

O novo smartphone da Apple, o iPhone 5, sai mais barato para aquela pessoa que viaja aos EUA hoje e retorna no dia seguinte, simplesmente para comprar o gadget. Sim, é mais barato viajar a outro país para comprar o produto e voltar do que adquiri-lo aqui. Isto por dois motivos: carga tributária pornográfica e ação intervencionista do governo para desvalorizar o Real.

Para beneficiar a um ramo da indústria que alega não conseguir exportar com Real valorizado o governo prejudica a mim, a você e a todos; e assim, ou pagamos preços absurdos pelo produto, ou ficamos sem ele, ou ainda o compramos num mercado paralelo e ilegal.

Sobre a compra no mercado paralelo não preciso comentar dos riscos, da ética e da moral envolvidas nesta negociação.

Quanto mais um governo intervém mais ele precisa intervir para consertar o primeiro problema que ele criou intervindo no livre-mercado.

É um fenômeno semelhante ao que acontece ao mentiroso, ele conta uma mentira e logo precisa contar outra para sustentar a primeira.

Um governo intervencionista nunca será uma chuva, sempre um terremoto.

Boa semana!

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