# A rentabilidade real da renda fixa brasileira.

> O governo reduziu mais uma vez a taxa básica de juro em 0,50 ponto. Esta medida implica em redução ainda maior na rentabilidade da caderneta de poupança, que corre o risco de ter rentabilidade real negativa. A rentabilidade real é obtida depois de descontada a inflação e custos de uma aplicação. No…

- Publicado em: 1 de setembro de 2012
- Autor: Equipe Efetividade
- Assunto: Antigos
- Endereço: https://www.efetividade.blog.br/a-rentabilidade-real-da-renda-fixa-brasileira/

O governo reduziu mais uma vez a taxa básica de juro em 0,50 ponto. Esta medida implica em redução ainda maior na rentabilidade da caderneta de poupança, que corre o risco de ter rentabilidade real negativa.

A rentabilidade real é obtida depois de [descontada a inflação](https://www.efetividade.blog.br/rentabilidade-real-versus-nominal-desconte-a-inflacao/) e custos de uma aplicação. No caso da caderneta somente a inflação, pois bancos não cobram tarifas para a aplicação e também a rentabilidade é livre de impostos.

A queda da SELIC para 7,50% já era esperado pelo mercado e desta forma não houve reação, pois este só reage quando existe diferença de expectativa. O fato ocorrido já estava precificado e o preço dos ativos já refletia a redução anunciada. O mesmo pode-se dizer para o anúncio do [crescimento pífio do PIB](https://www.efetividade.blog.br/por-que-o-pib-brasileiro-nao-cresce/) durante o segundo trimestre do ano. O anúncio não apresentou nada além do que o mercado já esperava.

Anúncios econômicos só abalam o mercado quando caminham num sentido diferente do esperado: aquém ou acima. Por exemplo, se era previsto a geração de 1 milhão de novos postos de trabalho e é divulgado que foram criados 1,5 milhão, aí sim este anúncio gerará uma correção no preço dos ativos, pois eles estavam precificados pelo esperado: 1 milhão. O mesmo aconteceria caso o número de vagas fosse bem abaixo da expectativa.

Uma coisa é certa, o mercado não reage a anúncios econômicos esperados, o preço do ativo é precificado antes.

**A taxa de juro real brasileira**

O relatório FOCUS projeta uma inflação para o final de 2012 de 5,64% e a taxa SELIC é hoje 7,50%. [Descontando a inflação](https://www.efetividade.blog.br/rentabilidade-real-versus-nominal-desconte-a-inflacao/), temos uma rentabilidade real de 1,76% antes de quaisquer custos envolvidos.

**A caderneta de poupança**

Ela [remunera em 70% da SELIC mais TR](https://www.efetividade.blog.br/mudancas-na-regra-de-remuneracao-da-caderneta-de-poupanca/). Quanto menor a SELIC, menor a TR. Com os valores da SELIC de hoje podemos dizer que a TR é zero, ou bem próxima de zero.

70% da SELIC são 5,25% e, descontando a inflação, temos uma rentabilidade negativa de **0,37%**.

É isto mesmo, com a SELIC de hoje deixar dinheiro na poupança é perder dinheiro.

**O que fazer?**

Como já venho [escrevendo há algum tempo o investidor brasileiro que deseja uma rentabilidade real terá que buscar produtos mais sofisticados](https://www.efetividade.blog.br/refaca-seus-calculos-pois-a-mamata-da-renda-fixa-acabou/). A caderneta de poupança e outros ativos em renda fixa, ou apresentarão rentabilidade negativa ou apenas serão capazes de proteger o dinheiro do poder corrosivo da inflação.

A exposição a produtos de renda variável será uma necessidade para aqueles que desejam fazer seus investimentos multiplicarem. Buscar um maior conhecimento do sofisticado mercado de produtos financeiros é o caminho.

Esta nova realidade econômica brasileira exige a mudança de paradigmas, aceite a mudança e trace planos considerando o novo cenário que se apresenta.

Bom final de semana!
