# As organizações vistas como máquinas

> É comum usarmos metáforas para explicitar um conceito. Metáforas simplificam o entendimento de conceitos. Nosso presidente adora usá-las. A mais antiga e utilizada metáfora organizacional é relacioná-la a uma máquina. Partes intercambiáveis e interdependentes ajustadas de forma precisa com a…

- Publicado em: 27 de fevereiro de 2010
- Autor: Equipe Efetividade
- Assunto: Antigos
- Endereço: https://www.efetividade.blog.br/as-organizacoes-vistas-como-maquinas/

É comum usarmos metáforas para explicitar um conceito. Metáforas simplificam o entendimento de conceitos. Nosso presidente adora usá-las.

A mais antiga e utilizada metáfora organizacional é relacioná-la a uma máquina. Partes intercambiáveis e interdependentes ajustadas de forma precisa com a finalidade específica de produzir determinado resultado. Isso é uma máquina. Máquinas são previsíveis, confiáveis e eficientes.

A administração científica – teoria figurada por [Frederick Taylor](http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor) e [Henry Fayol](http://pt.wikipedia.org/wiki/Fayol) – nada mais é que administrar a organização como uma máquina. [Adam Smith](http://pt.wikipedia.org/wiki/Adam_Smith) introduziu a idéia da divisão de trabalho, [Henry Ford](http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford) a colocou em prática de forma perfeita ao produzir seu famoso Ford T preto. Max Weber profetizou a organização mecanicista ao qual chamou de burocrática.

Engenheiros projetam máquinas de forma a criar peças que se encaixam de forma interdependentes. Os princípios propostos por Fayol – planejamento, organização, direção, coordenação e controle – nada mais são que uma forma de administração com base nos princípios da máquina. Produção, finanças, marketing, P&D devem se encaixar de forma harmoniosa a tal ponto de se completarem como uma máquina.

Administradores querem que as organizações sejam sistemas racionais operando de maneira eficiente. Taylor em seus cinco princípios – gerente pensa e trabalhador executa; métodos científicos determinam a forma de trabalhar; seleção científica do trabalhador; treinamento leva a perfeição e fiscalização para que tudo seja feito da maneira que foi planejado – “maquinizou” (acho que acabo de inventar essa palavra) o trabalhador. Charles Chaplim no filme Tempos Moderno eternizou tal raciocínio (veja trecho do filme no vídeo abaixo).

A metáfora mecanicista tem sido altamente eficaz em ambientes estáveis, onde os produtos exigem pouca ou nenhuma modificação e onde se seguir a risca a idéia inicial é a fórmula do sucesso. Empresas como o McDonald’s e Coca-cola vêem há anos faturando milhões com uma administração altamente mecanicista. A visão mecanicista é ainda muito útil em ambientes com alta demanda operacional, órgãos públicos são muitas vezes por força de lei e da necessidade mecanicistas.

É claro que essa metáfora mecanicista apresenta diversas limitações, como: a) dificuldade de se adaptar a novas situações; b) produz sistemas burocráticos burros; c) trabalhadores alienados; d) doenças por LER (lesão por esforço repetitivo) e e) talvez o mais grave de todos que é tentar desumanizar o homem, tentar retirar de nós o que nos torna humanos.

A metáfora da máquina é uma metáfora antiga e que vem sendo usada a mais de um século com eficácia para se administrar. Atrevo-me a dizer que vem sendo usada a mais de cinco séculos; penso agora em [Maquiavel](http://pt.wikipedia.org/wiki/Maquiavel) e em seu famoso livro O Príncipe, o que ele propõe nada mais é que um exército burocrático, mecânico e livre de sentimentos. Mas aí eu preciso estudar um pouco mais sobre o assunto para explanar com mais segurança. Quem sabe outro dia em outro artigo.

Artigo relacionado: [É bom ser burocrático](http://blogj11.wordpress.com/2009/12/09/e-bom-ser-burocratico/).
