Aumento da meta do Superávit Primário e a crise financeira.

Equipe Efetividade · 3 min de leitura
Aumento da meta do Superávit Primário e a crise financeira.

O governo federal anunciou na segunda-feira passada o aumento da meta do superávit primário em 10 bilhões de reais.

O superávit primário é a diferença entre o que o governo arrecada (impostos) menos os gastos com infraestrutura do país e pagamento de seus servidores. No cálculo não entre o valor usado para pagar juros.

Não confundir superávit primário com o PIB. O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país menos o valor das importações.

A notícia que o governo vai economizar, ou seja, vai aumentar o superávit primário agradou os investidores e a bolsa de valores de São Paulo teve forte valorização durante quase toda a última semana. Exceção à sexta-feira.

O aumento do superávit primário indica que o governo deseja manter a economia aquecida e se proteger do cenário externo de recessão. Com o aumento do superávit primário a tendência é de diminuição da rentabilidade dos títulos públicos negociados no site do tesouro direto. O governo assim também sinaliza numa possível diminuição da taxa básica de juro. O COPOM reduziu a SELIC em 0,5 ponto percentual na quarta-feira passada.

Se a SELIC cai, tomar dinheiro emprestado fica mais barato: tanto para as indústrias quanto para nós pessoas físicas. Com juro menor o comércio e todo o setor industrial ficam estimulados a produzir. Mais produção, mais vendas e como consequência mais lucro para as empresas.

O mercado financeiro vive de expectativas e como a expectativa futura é de juros menores e menos gasto do governo os investidores viram boas chances de lucrar e foram as compras, o que trouxe uma valorização generalizada dos papeis.

Análise

A presidente Dilma tem tomado medidas fortes contra a corrupção. Temos vistos vários ministros e assessores sendo gentilmente convidados a deixarem seus cargos.

Com a toda crise externa, uma crise de confiança na capacidade de muitos países arcarem com suas dívidas, o Brasil tem se mostrado forte. Recentemente aumentamos nossas reservas internacionais para valores recordes e agora o governo sinaliza que irá gastar menos. Na última quarta-feira, último dia do mês de agosto, o governo fechou o ciclo de negociações com servidores públicos para aumentos de salários para 2012. A ministra do planejamento Miriam Belchior representada pelo secretário Duvanir Paiva se manteve firme em todas as mesas de negociação e pouquíssimos cargos tiveram aumentos reais, a grande maioria teve aumento menor que a inflação do período. Os cargos que tiverem aumentos reais eram cargos com salários defasados e corroídos pela inflação e mesmo assim o aumento não atingiu a todos. Os ministros do STF conseguiram aumento no apagar das luzes. Este post já estava escrito quando o fato ocorreu.

Apesar de as medidas serem lentas e gradativas estão no caminho certo. Ainda precisamos de uma administração mais profissional em diversos setores do governo e de deputados, senadores e ministros realmente preocupados com o melhor para o Brasil e não para eles mesmos.

Nota

Foi agressiva a redução da SELIC em meio ponto percentual, eu teria optado por manter os 12,50% e na próxima reunião reduzir em apenas 0,25%. Com tal medida o governo deu uma guinada mudando fortemente de tendência, a inflação que já está alta ficará altíssima e bem longe do centro da meta de 4,5%. Sinceramente não entendi a atitude do governo, vamos esperar e ver o que acontece.

Observação: Este post foi escrito na quarta-feira e a nota acima assim como as partes em negrito foram acrescidas antes da publicação.

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