# Ciclos econômicos

> Uma das grandes bobagens econômicas que se ouve por ai é o de que poupança de mais e gastos de menos causam recessão. Pior ainda, afirmam que esta foi a causa da crise de 1929. Essa é a visão econômica Keynesiana, e sobre essa ótica é fácil resolver os problemas econômicos, bastando para isso…

- Publicado em: 18 de fevereiro de 2013
- Autor: Equipe Efetividade
- Assunto: Antigos
- Endereço: https://www.efetividade.blog.br/ciclos-economicos/

Uma das grandes bobagens econômicas que se ouve por ai é o de que poupança de mais e gastos de menos causam recessão. Pior ainda, afirmam que esta foi a causa da crise de 1929.

Essa é a visão econômica Keynesiana, e sobre essa ótica é fácil resolver os problemas econômicos, bastando para isso aumentar os gastos públicos.

Entenda o mercado como um processo dinâmico de descoberta e de coordenação. Ele tende ao equilíbrio, mas não o alcança, pois as ações humanas não são estáticas e mudam constantemente.

A taxa de juro é o elemento que calibra a relação entre o consumo e o investimento. Mas quando um governo [expande sua base monetária artificialmente](https://www.efetividade.blog.br/a-expansao-monetaria-e-o-livre-mercado/) provoca um descompasso e gera inflação monetária e crescimento econômico não sustentável.

Quando se estimula o crédito através da oferta de moeda, a consequência é o aumento da busca de bens de consumo (bens de ordem mais elevada). Os bens de ordem menos elevada (máquinas e tecnologia) não recebem estímulo. A busca pelo consumo gera momentaneamente emprego e crescimento econômico. Pseudo-emprego, pois são empregos funcionais onde o trabalhador não agrega valor ao produto e, portanto recebe baixo salário. O verdadeiro crescimento acontece com investimentos em bens de capital de ordens menos elevadas, estes demandam tempo de maturação, mas agregam valor, diminuem custos, criam e inovam. Também suscita trabalho intelectual que produz remuneração digna. Mas isto só acontece com o incentivo à poupança motivando o investimentos de longo prazo, criando empregos intelectuais e não funcionais, que ao agregar valor e reduzir custos aumenta a competitividade da indústria.

Gerar emprego funcional não é solução como bem escreveu o [Dr. Money](http://www.drmoney.com.br/economia/o-cobrador-de-onibus-e-o-desafio-do-crescimento-economico/) sobre as funções de cobrador de ônibus e frentista de posto de combustível. [Murray Rothbard](http://pt.wikipedia.org/wiki/Murray_Rothbard) falou algo semelhante: que se gerar emprego é a solução vamos quebrar vidraças. O poeta Renato Russo em sua *Canção do Senhor da Guerra* vai além, e diz que a guerra gera emprego e aumenta a produção (ouça a música no *youtube* clicando [aqui](http://www.youtube.com/watch?v=xcvc3_ahkyI)).

A redução do consumo não é ruim, desde que o não-consumo gere poupança incentivando o investimento em bens de capital. Assim teremos uma realocação das vagas de emprego no presente e um maior consumo no futuro, o que criará novas vagas de trabalho.

Acima defini o mercado como um processo dinâmico de descoberta e coordenação. Isso ocorre naturalmente pela preferência temporal de consumo das pessoas. Quando o governo resolve intervir no mercado expandindo a base monetária ele altera as preferências do consumidor causando um descompasso.

Muitos defendem o governo regulando a economia, mas como ele não é um deus onisciente é incapaz de estipular o que seja o melhor aos cidadãos, sendo o correto ele apenas garantir a livre concorrência e que o direito privado seja assegurado. Nada mais. Ao tentar coordenar as ações dos agentes ele causa um terremoto e não uma chuva conforme analogia que usei [neste post](https://www.efetividade.blog.br/a-chuva-e-o-terremeto/).

**Conclusão**

A poupança genuína provoca momentaneamente uma diminuição do consumo, porém não do emprego, pois o aumento da poupança reduz a taxa de juro que estimula o investimento em capitais de produção de ordens menos elevada e as vagas são realocadas de funcionais para cérebros-de-obra.

Infelizmente no Brasil faltam cérebros-de-obra havendo a necessidade de importar profissionais qualificados. Aqui há excesso de trabalhadores funcionais que recebem baixo salário.

O investimento em bens de capital menos elevados aumenta a produtividade da indústria que no longo prazo aumenta o consumo e gera crescimento econômico sustentável.

Boa semana!
