# Políticas governamentais para conter a inflação ao longo dos anos

> Para concluir essa pequena série sobre inflação, falo hoje sobre a evolução histórica inflacionário no Brasil e as políticas governamentais usadas para conter a inflação. Diversos fatores contribuíram para o crescimento inflacionário em nosso país. Um consenso entre os estudiosos é que o déficit no…

- Publicado em: 1 de setembro de 2010
- Autor: Equipe Efetividade
- Assunto: Antigos
- Endereço: https://www.efetividade.blog.br/politicas-governamentais-para-conter-a-inflacao-ao-longo-dos-anos/

Para concluir essa pequena série sobre inflação, falo hoje sobre a evolução histórica inflacionário no Brasil e as políticas governamentais usadas para conter a inflação.

Diversos fatores contribuíram para o crescimento inflacionário em nosso país. Um consenso entre os estudiosos é que o **déficit no orçamento do setor público** foi fator preponderante. O governo sempre gastou mais do que arrecadou, sendo obrigado a emitir moeda, endividar-se cada vez mais e inflacionar o país.

A emissão de moeda aumenta o número de dinheiro circulando na economia, juntando isso ao fator elevação dos custos, [como tratei no texto de ontem](https://www.efetividade.blog.br/o-que-causa-inflacao/), traz um efeito inflacionário gigantesco.

Só para citar um exemplo de como a elevação dos custos gera inflação, lembro da crise do petróleo no final de 1973. O preço do barril quadriplicou e como petróleo é matéria prima para a produção de energia, e todo setor econômico usa energia, sendo afetado de forma direta ou indiretamente pelo aumento do preço, o efeito inflacionário foi grande. Esse foi um fator que elevou a inflação em diversos países do mundo e não só no Brasil.

**Planos para estabilidade econômica no Brasil**

Em 1986 surgiu o **Plano Cruzado**. Congelou preços e salários, mudou-se o nome da moeda de *cruzeiro* para *cruzado* e retirou três zeros do valor nominal, 1000 cruzeiros passou a valer 1 cruzado.  O efeito foi imediato na economia, nos primeiro meses chegou a haver deflação, porém o setor público não limitou seus gastos, passou a gastar mais e a inflação voltou a ganhar força ainda em 1986.

No ano seguinte surgiu o **Plano Bresser**, também congelou preços e salários. Naufragou pelo mesmo motivo do anterior.

Em 1989 conhecemos o **Plano Verão** (recebeu esse nome por que estávamos no verão?). Novo congelamento de preços e salários e nova moeda. Surgiu o *cruzado novo*, e mais três zeros caíram, 1000 cruzados corresponderam a 1 cruzado novo. Não preciso nem falar que não deu certo né!?

Inflação subindo e subindo, chegamos ao ano de 1990, aí surgiu o **Plano Collor**. Esse roubou reteve todo o dinheiro acima de 50 mil cruzados novos depositados na caderneta de poupança, com isso tirou dinheiro de circulação e conteve a inflação. Também mudou o nome da moeda, ela voltou a chamar *cruzeiro*. A inflação voltou a subir no mesmo ano e surgiu o plano B, ou melhor, o **Plano Collor II**. Esse plano congelou preços de apenas alguns produtos temporariamente, e claro, furou também e a inflação subiu ainda mais.

Em 1993 nossa moeda mudou novamente, perdeu mais três zeros e recebeu o nome de *cruzeiro novo*. Essa medida serviu apenas para diminuir o número de zeros em nossa moeda.

O **Plano Real** surgiu em 1994, foi criada a URV (unidade real de valor). A URV era usada como indexador para ajustar os preços e salários. Passou-se pela primeira vez a tentar equilibrar as contas públicas e diminuir a emissão de moeda. A moeda ganhou o nome atual, *real*, e em julho do mesmo ano extinguiu-se a URV e 2.750 cruzeiros novos passaram a valer 1 real.

Daí para frente à história já é mais conhecida. Perceba que o único plano que deu certo foi o que teve como política conter os gastos públicos. Em nossa vida pessoal a história não é diferente, só conseguimos o controle ao contermos os gastos, a gastar menos que ganhamos. Pense nisso.

**Para não fechar o assunto**

O endividamento do nosso país começa com a chegada da família imperial portuguesa no Brasil em 1808 e a criação do Banco Público, que depois virou Banco do Brasil. Antes disso não tínhamos moeda nacional, circulava-se moedas portuguesas, espanholas, inglesas e outras tantas, materiais preciosos também eram usados como moeda, em resumo, era uma zona.

Mas isso é assunto para outro artigo.
