25 de junho de 2019

A forma perfeita de governar

Se existe a forma perfeita de governar e se perpetuar no poder ela foi encontrada.

As pesquisas de popularidade aferem o sucesso de nossa presidente.

E qual é esta maneira?

Ela simples.

Crie empregos funcionais de forma a manter o índice de desemprego em patamares baixíssimos. O desemprego deve ser baixo o suficiente para se poder afirmar que o momento econômico é de pleno emprego. Não importa se os salários são baixos, o que importa é as pessoas estarem empregadas.

Imprima dinheiro sem lastro, pois assim os juros caem e a demanda por produtos finais aumenta. Com isso mais empregos finais, aqueles nos últimos estágios do ciclo econômico são criados. Estes, por sua natureza funcional pagam baixos salários. Mas a intenção é esta, gerar empregos de baixa remuneração de forma que o cidadão acredite que a economia vai de vento em poupa, afinal ele esta empregado.

Culpe o empresário inescrupuloso pela inflação. Não fale nunca, jamais, de maneira alguma que a impressora do Banco Central não para de imprimir dinheiro, jogue toda a culpa da alta inflacionária nos capitalistas. Quando isto não colar mais culpe os fenômenos meteorológicos, seja a chuva ou a seca.

Crie bolsas assistencialistas de todas as formas possíveis e imagináveis.

Forneça subsídios para a compra da casa própria. Não importa se primeiro você dobra o preço dela criando uma bolha, o que importa mesmo é mostrar que se está ajudando.

Dê a entender que valoriza a educação, mas de fato pague pouco ao professor e crie mecanismos onde os estudantes sempre têm a razão e os professores e a direção estão sempre errados. Faça todos chamar de bullying ou assédio moral o que na verdade é educação. Isto mesmo inverta os papeis. Baixe o nível de cobrança para deixar todos felizes. Não reprove ninguém, afinal fazer separação entre bons e ruins causam traumas e prejudica o desenvolvimento da criança e do adolescente. Melhor ainda, deixe esta criança e posterior adolescente fazer tudo que lhe dê vontade não impondo limites. Chame regras de imposição arbitrária e faça os alunos lutar contra elas.

Faço um esclarecimento depois de críticas recebidas por e-mail. Neste trecho quis dizer que tudo agora é bullying e que medidas antes educativas são taxadas como tal. Exemplos: quando há maior cobrança pelo professor por haver uma maior deficiência do aluno, a separação dos alunos por nível de conhecimento e a exigência de respeito ao professor que estão definindo como imposição arbitrária ou perseguição.

Crie leis trabalhistas para proteger o trabalhador. O salário pago pelo capitalista por ter que pagar tantos impostos agregados será baixo, mas isto não importa, porque mais uma vez pode-se jogar toda a culpa sobre ele.

governar A forma perfeita de governar

Não esqueça os acordos

Para manter-se no poder conceda vantagens aos poderosos. Então…

Receba doações para campanhas de empresas que dominam seus setores de atuação com a promessa de que as políticas protecionistas continuarão a manter o status quo vigente. Nada de livre-concorrência.

Prometa isenção de impostos para os amigos.

Faça acordos com outros partidos. Prometa cargos em escalões intermediários do governo. E se faltar cargos para todos crie-os.

Aumente o tamanho do Estado cada vez mais. Porém, faço-o de maneira velada e lentamente.  Concessões e privatizações são corretas, mas sempre de forma que aqueles primeiros amigos sejam os beneficiados. Assim tudo fica como está.

E para finalizar chame todo este circo de democracia, afinal fomos eleitos pelo povo.

Boa semana!

Artigos Relacionados:

Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

Outros textos de Jônatas Rodrigues da Silva
17 Comentários

Adicionar comentário