19 de junho de 2019

A reserva financeira para emergências

A reserva financeira para emergência tem como objetivo ser uma fonte de recursos para algum acontecimento inesperado.

Mas num país como o nosso, onde a maioria das famílias está endividada, são pouquíssimas as pessoas que mantém uma reserva para emergências. A reserva ajuda a manter o foco no que realmente é importante e assim tomar melhores decisões.

Problemas acontecem. A vida é dinâmica. Penso ainda que é exatamente este dinamismo que tornam o viver tão espetacular.

Agora os imprevistos não são necessariamente ruins. Sempre digo que a reserva também pode vir a suprir uma emergência positiva, algum acontecimento que seja bom, mas que precise de dinheiro para ser conquistado.

Emergências positivas

Quem não é dependente do dinheiro toma melhores decisões. Decisão tomada com o apelo financeiro latente não costuma ser a melhor decisão.

A mudança de cidade por uma oportunidade de emprego às vezes precisa ser negada por o profissional não ter uma reserva que o possa sustentar durante os primeiros meses na nova cidade. Mudanças acarretam em custos.

A oportunidade de realização de um curso de curta duração ou uma palestra pode surgir, mas se falta grana fica impossível aproveitar a oportunidade. Aqui entra a reserva de emergências.

Mudança de emprego onde o salário inicial ou benefícios são piores que o atual, mas as possibilidades futuras são promissoras. Quem vive no fio da navalha e não possui reservas não pode abrir mão do hoje para ter mais amanhã.

A compra de um ativo aquém de seu valor de mercado. Um ativo de baixa liquidez pode lhe ser ofertado por seu dono precisar de dinheiro imediato. Tendo uma reserva é possível comprar descontado e vender a preço de mercado.

Ainda você poderá conhecer uma pessoa fantástica num final de semana e querer viver uma aventura. Vai precisar de dinheiro para isto.

Emergências negativas

Problemas surgem a toda ora. Infelizmente. Não ter uma reserva para saná-los é ter problema dobrado.

A perda do emprego.

A necessidade de uma operação de emergência.

Um acidente de trânsito.

A morte de alguém da família.

Todos estes são problemas emergências reais que podem ocorrer com qualquer um.

reserva financeira A reserva financeira para emergências

Mau planejamento não é emergência

Muitos confundem a falta de dinheiro por mau planejamento com emergências.

Um presente no aniversário de um amigo ou familiar não é emergência, assim como a necessidade de um remédio para gripe.

O valor da reserva

Uma dúvida de muitos é de quanto deve ser o valor destinado à reserva.

Ela deve suprir os gastos mensais de 3, 6 ou 12 meses.

Para profissionais com alta empregabilidade, funcionários públicos, aposentados e pensionistas: 3 meses. Com renda mensal garantida a reserva pode ser menor.

Para profissionais assalariados: 6 meses. A recolocação no mercado de trabalho pode levar alguns meses, e nada melhor que ter uma reserva que o permita fazer a escolha correta e não aceitar a primeira proposta por estar precisando urgentemente de dinheiro.

Para os comissionados: 12 meses. Estes como possuem um fluxo de entradas irregular devem ter como reserva uma média dos gastos mensais. A reserva deve ser mais robusta pela irregularidade das entradas, pois qualquer imprevisto que aconteça – um acidente que o impeça de trabalhar por algum tempo ou uma doença que lhe deixe acamado – deixa o profissional que trabalha por comissão sem dinheiro ou com receitas reduzidas.

Cuidados a tomar

Vejo muitos incorporarem à renda os valores advindos do bônus, funções gratificadas, ou de horas extras de trabalho ao fluxo de caixa mensal.

Isto é um erro.

Estes valores devem entrar no fluxo como valores eventuais e não serem somados ao planejamento mensal, afinal são passíveis de não acontecerem.

Sempre recomendo o uso do bônus ou entradas esporádicas para o luxo. Se você está em situação financeira confortável nada mais justo que se premiar e torrar o valor adicional. Pode ser com uma viagem, a troca do automóvel ou dos móveis da casa, ou ainda a visita a um restaurante sofisticado. Tudo irá depender da preferência de cada um.

Ainda existe a possibilidade de se fazer um aporte robusto nos investimentos destinados a aposentadoria. Mas esta nunca é minha recomendação, se os investimentos estão sendo realizados conforme o planejado o melhor é gastar realmente o bônus.

Boa semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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