25 de junho de 2019

Administração e seus modismos

Nos dias de hoje existem vários modismos quando se fala das teorias administrativas. Muitos adoram criticar Taylor e sua forma de pensar a organização, mas se esquecem que ele foi o primeiro a teorizar a forma de se administrar. Mesmo sendo alvo de críticas ferrenhas suas teorias vêem sendo usadas com eficiência a mais de um século.

Fayol foi racional ao pensar na organização e sua divisão em áreas funcionais interdependentes. Tal conceito é ponto de partida ao se pensar numa estrutura organizacional.

O que quero dizer é que Fayol e Taylor foram gênios e merecem ser lembrados assim, não é justa a crítica dos pseudo-pensadores da atualidade.

Para que existe uma empresa?

Toda organização existem para alcançar objetivos, produzir resultados é a meta. Toda estrutura organizacional é orientada para cumprir sua missão. A partir da abordagem das Relações Humanas começou-se a pensar no homem ao se administrar, percebeu-se que o fator social e emocional era preponderante para o bom desempenho do empregado. Que um funcionário motivado e equilibrado era mais produtivo.

Elton Mayo e seus seguidores são vistos como os bonzinhos enquanto os autores clássicos como os bandidos.

Elton Mayo não estava preocupado com o empregado assim como os demais estudiosos, seu objetivo era o aumento da produtividade. Ele apenas percebeu que dando maior liberdade e autonomia e que demonstrar confiar no trabalhador o fazia produzir mais e melhor. No fundo a preocupação era a mesma: alcance dos objetivos organizacionais com a máxima eficiência.

É possível se preocupar realmente com o trabalhador e com as metas organizacionais?

Para começar a responder a essa pergunta faço usa da bíblia.

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Mateus 6:24

Os interesses entre trabalhadores e organização são antagônicos. Em regra empresas desejam a maior produtividade possível de seus funcionários pagando-se o mínimo possível. Já os funcionários oferecem o mínimo possível para se manterem empregáveis.

Organizações oferecem benefícios adicionais a seus colaboradores, não porque são bondosas e preocupadas com eles, mas sim porque a produção deles paga esses benefícios e geram lucro.

Quando o custo de um trabalhador for superior ao lucro obtido com esse mesmo trabalhador ele será mandado embora. A organização não irá se importar se ele terá condições de sobreviver, se tem família, dividas assumida ou qualquer outro problema. Organizações são máquinas programadas para o alcance de objetivos e para isso passam como rolo compressor em cima de tudo para alcançar os objetivos. Independente da roupagem usada (metáfora) é isso que acontece.

Para concluir quero dizer que eu ainda vejo como ilusória a visão romântica entre trabalhador e organização. A convivência é uma mutualidade, um depende do outro para alcançar o desejado e esse casamento é durável enquanto ambos estejam lucrando, mesmo que ainda um lado lucre muito mais que o outro.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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