25 de junho de 2019

Como seria o transporte público no livre-mercado?

O objetivo do texto de hoje é imaginar como seria o transporte público no livre-mercado. Ou seja, sem o Estado detendo o monopólio da concessão.

Usei o verbo imaginar porque desde sempre o transporte público é um serviço ofertado pelo Estado no qual ele é monopolista e não permite uma concorrência privada.

Impostos

A primeira conclusão é que pagaríamos menos impostos. O transporte público é oferecido por uma ou mais empresas privadas que ganharam a concorrência através de uma licitação pública, porém o Estado custeia parte da passagem, caso contrário o valor pago pelo cidadão seria expressivamente maior. A empresa ou empresas ganhadoras da licitação detém o monopólio (ou oligopólio) do transporte público na cidade.

O lado moral

Moralmente também seria mais justo, uma vez que somente o usuário do transporte pagaria por ele. No modelo atual de concessão todo “contribuinte”, faça uso ou não do transporte público, “contribui”, pois parte de seus impostos é usado para custear uma parcela da passagem.

Técnico

A concorrência comprovadamente aumenta a qualidade de um serviço e barateia o preço. Sem o monopólio estatal qualquer empresa poderia oferecer transporte público ao cidadão, seja através de apenas um único veículo realizando um único trajeto, seja por meio de dezenas, centenas ou milhares deles.

transporte publico 228x300 Como seria o transporte público no livre mercado?

As empresas iriam “brigar” para atrair clientes oferecendo alguma vantagem adicional quando comparadas com as concorrentes: menor preço, assentos mais confortáveis, ar condicionado, trajetos mais curtos, horários flexíveis…

Você poderia optar, por exemplo, por pagar mais e ir confortavelmente sentado e no ar condicionado, ou pagar um preço menor e ter menos conforto durante a viagem.

O mercado sendo soberano iria oferecer serviço para todos os bolsos e gostos, assim como hoje fazem, por exemplo, os restaurantes, serviço onde o Estado não detém o monopólio.

Tempo

Muitos que fazem uso do carro para irem ao trabalho, com um serviço de qualidade iriam escolher o ônibus, com isto teríamos menos carros nas ruas e o translado seria mais rápido e assim ganharíamos (ou melhor, não perderíamos) tempo.

Ambiental

Com menos carros menos poluição. Isto é sustentável e saudável, pois passaríamos a respirar um ar menos poluído.

Financeiro

Com menos dinheiro para administrar – lembre que pagaríamos menos impostos por não ter que custear o transporte – os governantes teriam menos uma fonte de roubo em licitações fraudulentas.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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