25 de junho de 2019

Cuidado com os impostos e a inflação ao investir.

Quando você paga imposto de renda significa que obteve lucro. Então pagar IR é bom.

Mas ter lucro e pagar IR não significa que você aumentou seu patrimônio líquido. Digo isto pois somos taxados sobre a rentabilidade nominal e não sobre a real, e assim podemos ter lucro tendo prejuízo.

Se um ativo é adquirido por um preço de 100,00 e vendido após 12 meses por 106,00 ele apresentou uma rentabilidade nominal de 6%. O IR de 15% é cobrado sobre o lucro, ou seja, sobre os 6,00. Após pagar o imposto, a rentabilidade obtida é de 5,10. Este é o lucro nominal. Agora para falar em lucro real devemos considerar a inflação do período. Se a inflação acumulada no período foi de 5,50%; o valor investido há 12 meses, trazido para o valor presente, é de 105,50. Note então que o valor após a venda do ativo e o pagamento do IR é de 105,10. O suposto lucro na verdade foi prejuízo.

Pelas regras do governo para a cobrança do imposto os custos com corretagem e emolumentos podem ser descontados, mas outros custos, como DOC/TED, não.

Seria mais justo uma taxação de IR sobre o lucro real e não nominal, onde primeiramente se descontaria a inflação para se chegar ao lucro, e somente depois se calcularia o imposto a pagar.

A importância de um governo manter a inflação em patamares aceitáveis é fundamental para o lucro real nos investimentos, pois mesmo que o lucro supere a inflação ele será menor do que aquele obtido com inflação perto de zero.

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Uma inflação alta ainda mitiga o crescimento empresarial. Se a inflação assusta, o governo aumenta a taxa básica de juros com a intenção de limitar a circulação de dinheiro. Menos moeda em circulação gera uma maior estabilidade dos preços. A inflação aumenta os custos de produção e, por consequência, o preço final do produto. Com uma taxa básica mais alta investimentos de renda fixa ficam mais atrativos e atraem mais investidores. E as ações além de renderem menos, na valorização do preço e no dividend yield recebido, a inflação ainda faz a rentabilidade real obtida ser menor.

A inflação também aumenta os custos da empresa com funcionários, máquinas, depreciação e até mesmo do fluxo de caixa.

As ações poderiam ser um hedge contra a inflação?

Com visão de curto prazo não. Ações individuais também não, pelo menos com uma filosofia, digamos, buy and forget. No longo prazo através de um ETF sim, pois no longo prazo o índice tende a uma valorização acima da inflação. Investindo passivamente por meio de um fundo de índice o investidor não precisa analisar empresas, pois as não saudáveis deixam de integrá-lo a cada novo quadrimestre.

No último post no HC Investimentos do meu amigo Henrique Carvalho um leitor alertou, ao deixar um comentário, que os ETFs por terem os dividendo das ações reinvestidos no fundo, refletindo no valor da cota, geram a cobrança de IR na venda. Dividendos pagos são livres de impostos no caso das ações por já terem sido pagos pela empresa antes da distribuição do lucro.  O leitor está correto na observação, mas a decisão de investir através de ações individuais ou ETFs deve ser pautada, entre outros critérios, no lucro líquido e, no longo prazo, pouquíssimos investidores ganham do índice, mesmo depois do pagamento dos 15% de IR. Nem mesmo os fundos ativos gerenciados por dezenas de gestores em tempo integral ganham do índice, a grande maioria perde. É ilusão acreditar que a opção pelas ações em detrimento a um ETF é pela maior rentabilidade.

ID 10017553 300x186 Cuidado com os impostos e a inflação ao investir.

Argumentos como o aprendizado e conhecimento adquirido através do investimento ativo é mais sustentável, alegar maior rentabilidade é ilusão, é acreditar que se terá rentabilidade acima da média de mercado, os psicólogos chamam isto de ilusão de superioridade.

Concluindo… a inflação diminui a rentabilidade real dos investimentos e o pagar IR não deve ser um empecilho ao investidor, ele deve focar a rentabilidade real, independente do valor pago de imposto.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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