26 de junho de 2019

O brasileiro está indignado e reivindica uma melhor gestão pública

O brasileiro está nas ruas reivindicando uma melhor gestão pública. Ao menos esta é minha percepção do movimento social que tomou conta do Brasil.

Este movimento, teoricamente, sem liderança é confuso e não tem objetivos definidos. E a falta de objetivos acontece exatamente por não haver liderança. O que vemos são cidadãos reivindicando no mesmo espaço, mas cada um com sua ideologia particular.

Saúde e educação me parecem bandeiras que agregam.

O descontentamento com o Estado é generalizado e o movimento ganha ares fascistas ao não permitir a manifestação de partidos políticos e boicotando o trabalho de emissoras de TV.

O povo levanta cartazes pedindo mais saúde e educação e ao mesmo tempo não acredita no Estado como gestor. Paradoxo não? Afinal saúde e educação são serviços administrados por este Estado tão desacreditado.

O Movimento Passe Livre (MPL) defende um transporte público 100% custeado pelo Estado. Primeiro que isto é imoral. Por que alguém que não faz uso de transporte público deve pagar por ele? Se alguém tiver uma resposta coerente para minha dúvida favor deixar um comentário. Segundo é que se hoje a qualidade do transporte é ruim, ele sendo administrado pelo Estado seria melhor? Veja a segurança, nossa polícia militar, é 100% custeada pelo Estado e é um desastre. O que faz alguém pensar que com o transporte seria diferente?

Assim, então, os cartazes deveriam ser por menos Estado e consequentemente menos impostos e serviços públicos ofertados por ele. Com um Estado menor cada cidadão administra suas receitas de forma a comprar aqueles produtos que julga prioridade. Um Estado minimalista, um Estado mais lockeano.

O objetivo final do MPL é o fim do capitalismo. E coloca-se o que no lugar? Deixo a pergunta.

Falta conhecimento às pessoas. Elas confundem público com gratuito e direito com obrigação.

Um shopping é público e privado. Público significa livre acesso ao cidadão desde que ele obedeça às normas e não gratuidade.

O direito implica em liberdade de busca e escolha. Todo cidadão tem direito à saúde, educação e moradia. Mas este direito não implica em obrigação do Estado. Saúde e educação sim, pois o Estado assumiu esta responsabilidade como uma obrigação, mas o direito a moradia não foi assumido pelo Estado e assim cada cidadão, caso deseje, deve buscar este direito por si mesmo.

A presidente Dilma perdeu a grande chance

Identificar o problema é o primeiro passo para começar a resolvê-lo.

Nosso Estado é corrupto e ineficiente. A ineficiência facilita a corrupção. Se o Estado for mais eficiente a corrupção é enfraquecida.

O Estado é inchado. 513 Deputados Federais, 81 Senadores e 39 ministérios. Lembrando que cada um destes cargos possui dezenas de assessores.

Sinceramente, 513 deputados é um desperdício de dinheiro público. Com o avanço da TI questiono até mesmo a necessidade de uma câmera de deputados. Por que não apenas a existência do senado e projetos de lei ser encaminhados, seguindo regras e padrões claramente definidos, pelo cidadão comum diretamente ao senado?

Precisamos de 39 ministros? No planejamento temos a Belchior e na casa civil a Hoffmann. Mas quem representa o governo em seu discurso é o Mercadante da educação. Vai entender. Se as ministras do planejamento e casa civil, ministérios chaves de um governo, não são a voz ativa neste momento conturbado para que o país precisa delas?

Nossa presidente perdeu a oportunidade quando foi à TV de apresentar um modelo diferente do atual, de mudar o paradigma e a história deste país.

Algumas ideias minhas: 5 anos de governo sem reeleição, impossibilidade de ser novamente eleito para um cargo que já exerceu ou de status inferior; teto salarial de R$ 10 mil para os políticos de maneira a tornar a política não atrativa como profissão; não salário a vereadores; nada de aposentadoria privilegiada e que o tempo de exercício contasse para sua aposentadoria normal; sem verbas adicionais (terno, moradia); menos, bem menos, assessores; escolaridade mínima.

impostos  300x234 O brasileiro está indignado e reivindica uma melhor gestão pública

São tantas coisas que precisam mudar para o Brasil avançar. Mudar os políticos e partidos dentro do mesmo modelo de gestão, do mesmo paradigma, nada muda. Nosso modelo favorecesse a incompetência e a corrupção.

De forma nenhuma quero propor um modelo de gestão, apenas nas linhas acima quis demonstrar que é preciso destruir o atual e pensar em algo novo. Fazer apenas ajustes e continuar da forma que se está não trará as melhorias significativas que todos nós desejamos.

Precisamos ser honestos

Um país melhor começa dentro de cada um de nós. Não adianta exigir transparência e honestidade dos políticos quando não se devolve o troco que foi recebido a mais no caixa do supermercado, quando se compra produtos falsificados, quando se faz um gato na luz ou na TV a cabo.

Parte do alto custo brasileiro é para cobrir a desonestidade do cidadão. Um supermercado poderia reduzir seus preços em 10% se não houvesse furto e embalagens rompidas propositadamente pelo cliente. Quem você acha que paga por isto? Os estabelecimentos colocam câmeras e contratam seguranças visando proteger o local do furto e isto encarece o preço do produto.

E não adianta argumentar que as pessoas agem assim porque o preço é abusivo. Mentira. As pessoas agem assim por acreditarem ser mais espertas, pelo famoso jeitinho brasileiro.

É necessário sacrifício

O Dr. Money escreveu em seu blog que “o enriquecimento é um processo doloroso, em que a geração atual precisa abrir mão de certas coisas para que as gerações futuras usufruam de uma vida melhor.”

Precisamos entender isto. Não se faz omelete sem ovos. Todos querem consumir, mas para haver consumo antes precisa ter havido poupança.

Educação

Estudar dói e aprender é cansativo. Não se alcança o sucesso sem sacrifício.

Faz muitos anos que leciono. Já dei aulas de informática, em cursos técnicos e fui tutor em cursos de pós-graduação EaD. Os melhores alunos não são os mais inteligentes, mas os mais esforçados, aqueles que vão além, que se dedicam mais, que se cobram mais, que estudam não para a prova mas para a vida.

Estudar é um hábito a ser desenvolvido.

Venho escrevendo a um bom tempo que todo crescimento sustentável é pautado na educação. Não tenho dúvidas disso. Se o Brasil deseja crescer precisamos repensar a educação, precisamos valorizar a educação fundamental que é à base de tudo.

Investir em Universidades é necessário, mas investir na base da educação deve ser a prioridade. Um professor coreano do ensino fundamental ganha $ 6 mil dólares, enquanto no Brasil ele ganha R$ 1 mil com muito esforço.

Políticas públicas

Uma política pública é uma ação do Estado numa situação social problemática. Uma política é acima de tudo um curso de ação e não apenas uma decisão singular.

Mas as políticas chamadas de públicas adotadas pelo governo não tem sido um curso de ação. Políticas públicas devem solucionar problemas sociais e não apenas tapar buracos.

As bolsas assistencialistas do governo federal já viraram um problema e não podem ser chamadas de políticas públicas, pois estas visam modificar uma situação o que não tem acontecido. O programa mais famoso do governo federal (bolsa família) se tornou uma doação do Estado às famílias e não uma política pública.

Conclusão

Não iremos mudar se não mudarmos o paradigma.

Para mim o maior salário de um servidor público deveria ser o de um professor do ensino fundamental.

A vida é feita de escolhas e cada um deve fazer as suas e assumir a responsabilidade.

Nossos políticos são o reflexo do cidadão. Se ele são desonestos é porque somos desonestos.

Não existe melhoria sem sacrifício, don’t have lunch free. Sempre que alguém receber sem trabalhar existirá alguém trabalhando sem receber.

Quer mudar o Brasil? Comece mudando a você mesmo!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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