25 de junho de 2019

O melhor e o pior investimento de 2011. Diversifique sempre.

diversificar 150x150 O melhor e o pior investimento de 2011. Diversifique sempre.Como você já teve ter lido o investimento que apresentou melhor rentabilidade em 2011 foi o ouro. Quem investiu no metal obteve uma rentabilidade de quase 16%. Já o principal índice da Bolsa de Valores acumulou perda de mais de 18%.

O ouro por ser um ativo real é um ativo de proteção, em momentos de crise e incertezas econômicas é no metal que os investidores procuram segurança. Em 2010 sua valorização foi excelente, incríveis 32,26%. E em 2012, tudo leva a crer que ele continuará subindo. O ouro não é fabricado, seu preço se dá pela sua escassez e por isto é considerado um ativo de proteção.

Como comprar ouro

Você pode comprá-lo através de uma corretora de valores. O metal é negociado no pregão da BM&FBovespa. A compra é para poucos, isto porque são negociados em lotes de 250g e o valor do grama, enquanto escrevo, é negociado a aproximadamente R$ 93,00. “Aproveito para adicionar que também é possível negociar o Ouro de 10g na BM&F através do código OZ2D. O código para o Ouro de 250g é OZ1D” (Henrique Carvalho).

Também é possível comprar o metal no mercado de balcão, a quantidade negociada é variável, pode se negociar desde moedas de poucos gramas até mesmo barras de 1 kg. Para a compra em dinheiro há uma limitação imposta pelo Banco Central, esta quantia é algo próximo de 10 mil reais, a ideia do BC é evitar a lavagem de dinheiro. O inconveniente de comprar ouro no balcão é que efetivamente você o leva para casa, comprando pela corretora ele fica custodiado, você não o recebe em espécie. Como as barras são pequenas podem ser facilmente perdidas, fora o risco de roubo que se corre. Outro porém é que sempre há um spread em relação ao preço negociado na BM&FBovespa.

O padrão ouro foi o modelo para impressão de moeda usado por muito tempo em diversos países. Neste sistema o governo imprime moeda na quantidade do metal em seu poder. Hoje a moeda não tem mais lastro com base no ouro, porém um governo responsável não sai imprimindo dinheiro pois sabe que assim inflaciona sua moeda. Uma forma possível de lastro é através da arrecadação de impostos, onde só se imprime moeda na quantidade arrecadada. Daí a importância do crescimento econômico, quanto mais um país cresce mais ele arrecada em impostos e assim tem maior lastro para imprimir e gastar.

O Ibovespa

Já o pior investimento de 2011 foi mesmo o Ibovespa. Em momentos de crise os investidores fogem da Bolsa. A crise na Europa é uma crise de confiança, o risco de calote de alguns países faz o investidor ficar desconfiado e procurar investimentos mais seguros.

Mas é neste exato momento que a Bolsa se torna mais atrativa para quem está chegando, o medo faz os principais índices despencarem e empresas bem fundamentadas e de crescimento se desvalorizam num efeito manada sem real justificativa para quedas tão bruscas. Alguns setores tidos como defensivos costumam ter perdas menores; setores de energia, consumo e telecomunicações por exemplo. Quando a Bolsa tem um péssimo ano o ano seguinte pode ser um bom ano para se chegar a ela.

Agora atenção, não é porque o índice caiu que todas as empresas estão com preços aquém de seu valor real. É preciso fazer uma análise, empresa por empresa, com base em seus fundamentos e com vista macro e microeconômica para a tomada de decisão. Com paciência e tempo disponível sempre é possível garimpar boas empresas. Não confundir valor com preço. Não é porque o preço caiu que a empresa está barata, faça sempre uma análise de valor da empresa versus o preço que o papel está sendo negociado.

O sentido contrário também é verdadeiro, um ativo que teve alta valorização em um ano, raramente consegue desempenho tão formidável no ano seguinte. Ou o crescimento costuma ser menos vertiginoso ou mesmo acontece uma queda. Também não significa que um papel valorizado representa uma boa empresa, às vezes é pura especulação e o aumento não é sustentável, logo vindo a perder valor.

O que fazer, ficar mudando de galho em galho?

É uma opção, mas arriscada. Analisando os movimentos econômicos é possível se ter noção da variação dos ativos. Noção não é certeza, e é assim que muitos vão a bancarrota.

Ficar parado vendo o preço de um ativo cair também não é a melhor escolha. Diversificar e traçar a perda aceitável é a decisão mais correta. Imagine que você compre um ativo por 100 e esteja disposto a perder 5% de seu valor. Quando ele chegar a 95 você o vende. Caso ele tenha tido uma valorização de 10% e esteja sendo negociado a 110, continue mantendo a porcentagem inicial de perda, os 5%. Só que a venda agora acontece a 5% de 110, portanto quando o ativo cair para 104,50.

Só que monitorar vários ativos dá um trabalho muito grande, aí que os ETFs ajudam. Ao invés de ações de várias empresas presentes na carteira, um ETF de um índice é mais facilmente monitorado. Ainda os custos de compra e venda são menores, pois ao invés de vinte corretagens que pagamos ao comprar 20 papeis diferentes, num ETF pagamos apenas uma corretagem e adicionamos à carteira um risco bem mais diluído, pois o ETF é composto por mais ações.

Em renda fixa prefiro sempre ativos com rentabilidade pré-fixada, sejam CDBs ou ativos do Tesouro Direto: minha preferência são as LTNs. Minha filosofia é sempre negociar prazos acima de dois anos para assim pagar o imposto mínimo sobre o lucro (15%).

Diversificar sempre

Todo inicio de ano temos a lista dos melhores investimentos do ano anterior, e aquela sensação de porque não comprei este ativo vem à mente. Esta sensação é normal, olhando o passado tudo parece óbvio, esta sensação não é exclusividade sua, ela é compartilhada por muitos investidores. Só que não confie neste sentimento, ele serve apenas para nos ludibriar. É impossível prever o futuro, só parece óbvio hoje porque sabemos os acontecimentos que levaram determinado ativo a se valorizar. Traçar uma tendência é uma coisa, futurologia é outra completamente diferente e impossível.

Aí entra a importância da diversificação, diversificando minimizamos o risco e ficamos com a média do mercado. Quem diversifica nunca poderá se gabar para os amigos que teve uma lucratividade histórica, mas também não precisará esconder de ninguém que investiu no mico do ano e teve um grande prejuízo. É ilusão achar que podemos acertar mais que os outros. Se contente com a média. Dilua seus recursos financeiros em ativos diferentes, perca em alguns e lucre em outros; no longo prazo você ganhará, pois a tendência histórica é positiva, e eventos isolados, tantos positivos quanto negativos, devem ser ignorados já que a reversão à tendência predomina.

Recomendo fortemente o curso do meu amigo Henrique Carvalho, ele finalizou esta semana um curso completíssimo sobre investimentos com uma linguagem simples sem ser simplista. Foram 10 lições. O curso é de altíssima qualidade. Excelente e grátis! Você pode se inscrever no curso facilmente, basta digitar seu e-mail no box abaixo. Seu e-mail não será usado para spam de espécie alguma. Você apenas receberá acesso a materiais de alta qualidade, gratuito e preparado por alguém sério, que escreve com foco no aprendizado real.

Falei do melhor e do pior investimento de 2011 e os demais?

Na segunda colocação ficou o CDI que teve rentabilidade de 11%. Quem investiu em CDB e Tesouro Direto que seguem o sentido do CDI obteve remuneração positiva em 2011. Só que neste ano tudo leva a crer que a rentabilidade será menor, pois o CDI se adere à taxa SELIC que está em sentido de queda como anunciado pelo Banco Central.

Ninguém é capaz de prever qualquer movimento econômico, não se iluda achando que você é melhor que a média do mercado senão irá quebrar a cara, sendo assim diversifique, dilua seu dinheiro em vários ativos e fique com a média do mercado. Investindo em apenas duas modalidades já é possível obter uma boa diversificação, gosto demais da dobradinha ETF mais Tesouro Direto, uma trinca também pode ser montada ao se negociar um CDB; gosto dos pré-fixados com liquidez diária, esta modalidade por ser usada para a reserva de emergência.

Ainda existem outras boas alternativas: fundos com baixas taxas de administração, fundos imobiliários, Previdência Privada (nos pouquíssimos casos que compensa o investimento) e no próprio ouro, ativo que comecei falando no início deste texto.

Em resumo, boas alternativas não faltam, é estudar, pesquisar e fazer a melhor escolha de acordo com seu bolso e perfil financeiro, mas sempre diversificando.

Boa semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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