25 de junho de 2019

O servidor público e o ambiente de trabalho.

servidor publico 150x150 O servidor público e o ambiente de trabalho.Um servidor público é o cidadão que trabalha para o governo, seja municipal, estadual ou federal. Sua contratação pode acontecer sobre um de dois regimes: CLT ou Estatutário.

Contratações pelo regime CLT é a forma de contrato tradicional que todos nós estamos acostumados, as regras do jogo são conhecidas pela grande maioria. Contrato de experiência de trabalho de 3 meses, fundo de garantia, aposentadoria pelas regras do INSS e demissões podem ocorrer, sejam por justa causa, seja por interesse do órgão; aí pagando todas as indenizações previstas na legislação.  Funcionários públicos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e quase todas as prefeituras são contratados sob o regime CLT.

O regime estatutário dá maior estabilidade ao trabalhador, após o chamado estágio probatório – período de 3 anos onde o servidor passa por 4 avaliações de competência e caso seja considerado não apto pode ser dispensando. Após esse período o trabalhador não pode ser mais demitido, a não ser por condenação judicial e outros casos graves bem pontuais como roubo ou agressão física a um colega de trabalho por exemplo.

O regime estatutário, em geral adotado pela esfera federal, ainda traz como vantagem aposentadoria integral e como desvantagem a contribuição de 11% do salário bruto para a previdência sem limite máximo como acontece no INSS.

Ociosidade no serviço público

Já foi o tempo que isso acontecia. Hoje na grande maioria dos setores há falta de pessoal e profissionais estão sobrecarregados e ainda trabalham em ambientes insalubres, com falta de equipamento adequado e ainda com material de baixa qualidade comprado em pregões eletrônicos onde o pregoeiro é obrigado a comprar pelo menor preço e quase sempre péssima qualidade. É comum cartuchos de impressoras que não funcionam e canetas esferográficas com validade de 30 minutos de funcionamento. Isto mesmo, 30 minutos.

Baixa qualificação

Esse é outro mito. Todos sabem que a concorrência em cargos públicos é feroz. Só os melhores entram. A ideia de servidores mal qualificados e pouco eficientes é antiga, a quase totalidade dos novos servidores tem qualificação muito acima da média de qualquer empresa. O que falta, às vezes, é experiência prática, mas qualificados eles são.

Altos salários

Outro mito. Os salários são razoáveis, mas não são a maravilha que muitos pensam. Alguns cargos bem específicos recebem altos salários, os demais ficam na média. O que realmente atrai no serviço público é a estabilidade.

O que eu posso dizer…

Sou servidor estatutário federal e celetista do governo do estado. Em ambos os locais faltam recursos. No federal trabalho com canetas e demais materiais de escritório pessoais, os públicos são uma vergonha, simplesmente não funcionam. Também não é raro quando tenho que disponibilizar meu notebook para algum serviço. Como vantagem eu apontaria a certeza do salário recebido e menor pressão da chefia e alguma flexibilidade em relação aos horários de trabalho. Já como professor do estado falta tudo: data show, impressora e folha para impressão, e claro, boa remuneração. Sim, também tenho que usar recursos próprios para dar uma boa aula. Como vantagem tem emenda em feriados, só.

Também leciono numa escola particular. Lá eu tenho material adequado para trabalhar, impressões e demais materiais solicitados, data show, DVD e TV LCD em minha sala de aula. Lousa de quadro branco e número reduzido de alunos por sala. Consigo dar uma melhor aula com a tecnologia a meu favor. A desvantagem continua sendo o baixo salário e a pressão por resultados que é sempre maior.

Fica aqui minha visão e meu relato pessoal sobre trabalhar para o governo e para uma empresa privada. Também já trabalhei como autônomo e como prestador de serviço para uma grande empresa de Internet, foram experiências interessantes também que posso relatar qualquer dia em outro post.

Abraço!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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