Estratégias de investimentos alinhadas à idade do investidor são erradas.

Equipe Efetividade · 3 min de leitura
Estratégias de investimentos alinhadas à idade do investidor são erradas.

É comum estratégias de investimentos alinhadas à idade do investidor. Livros financeiros costumam apresentar a regra dos 80 ou 100. Ela diz que você deve subtrair sua idade de 100 ou 80, isto de acordo com a filosofia, e o resultado desta subtração seria a porcentagem a se investir em renda variável.

Um jovem de 30 anos fazendo uso da regra dos 100 deve investir em renda variável 70%.

Penso que as porcentagens alocadas em renda fixa e variável devem estar alinhadas ao objetivo do investidor e não à sua idade. O investidor poderá ter 90 anos e alocar uma parte substancial de seus investimentos em renda variável. Tudo depende do objetivo. Imagine que este senhor já tenha uma vida financeiramente tranquila e não precise contar com seus rendimentos no curto prazo. Que ele invista pensando em aumentar sua riqueza de forma constante ao longo dos próximos 50 anos. É claro, não pensando em ele mesmo fazer uso deste dinheiro, mas pensando em seus bisnetos que ainda nem nasceram.

A porcentagem alocada em cada classe deve ir ao encontro do objetivo futuro, a idade do investidor não é relevante.

Pensando numa outra possibilidade, imagine uma moça de 24 anos que pretende se casar entre dois ou três anos. Ela já tem o namorado tá! Seus investimentos tem como foco o curto prazo, ela pretende fazer uso do dinheiro em dois anos. Ser conversadora é o melhor, o risco é inaceitável. Ela tem prazo definido para fazer uso dos recursos. A recomendação seria manter 100% dos investimentos em renda fixa.

É possível ter como estratégia o investir 100% em ações?

Não vejo problemas desde que o investidor tenha absoluta certeza que não fará uso do valor investido no curto prazo. Ele tem que estar ciente que o mercado de ações poderá passar por longos e duradouros períodos de recessão. Além do risco inerente às ações, ainda existe o risco de a empresa falir, sendo o mais aconselhável o investimento não em empresas específicas, mas em fundos que espelham índices. Os ETFs são boas escolhas.

Alguém que esteja líquido e tenha como foco o longo prazo, com o momento de baixa da Bovespa, o cenário se mostra propício para altos aportes. Bons frutos poderão ser colhidos no futuro.

Deixo claro que há risco. O risco é algo intrínseco a qualquer investimento. Mas numa análise particular vejo o risco como baixo e aceitável.

Aposentadoria

Alguém que queira parar de trabalhar aos 65 anos com uma renda mensal vitalícia de R$ 4.500,00 sem desvalorização do principal e que tenha começado cedo, aos 20 anos, por exemplo, não precisa nem de grandes aportes mensais e muito menos se aventurar em renda variável, ele pode apenas investir em renda fixa de forma consistente ao longo dos anos e alcançar seu objetivo.

Apenas 100 reais mensais são suficientes se aplicados num investimento que proporcione retornos líquidos de 10% ao ano. É claro que existe o fator corrosivo da inflação, mas os aportes podem ser aumentados acompanhando a correção inflacionária, assim o poder de compra se mantém ao longo dos anos.

Conclusão

Onde alocar seus ativos depende basicamente de seus objetivos e tempo disponível. A idade, em minha opinião, não é fator preponderante.

Alguns têm perfil mais agressivo, preferindo a renda variável. Já outros são mais conversadores e assim aportam unicamente em renda fixa. A maioria mescla as duas coisas.

O importante é a criação do hábito de poupar e investir. Mais importante é a constância e não a forma. A maneira você vai lapidando ao longo dos anos e experiência adquirida.

Boa quinta-feira.

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