25 de junho de 2019

Como diversificar seus investimentos com pouco dinheiro.

diversificar 150x150 Como diversificar seus investimentos com pouco dinheiro.Sempre falamos em diversificação nos investimentos. A diversificação dilui o risco e maximiza o sucesso. Só a mudança de atitude em relação ao dinheiro já é para ser comemorada, são poucos os brasileiros preocupados em economizar parte da renda e investir visando a independência financeira. Dentre estes poucos é ainda menor o número de investidores que buscam alternativas a Caderneta de Poupança: tradicional investimento e conhecido de todos os brasileiros.

A literatura brasileira sobre investimentos é pobre, são poucos os autores na área financeira. Quando o tema é diversificação não existem autores, ou melhor, existe o Henrique Carvalho do HC Investimento, mas quando pensamos em livros simplesmente não há literatura em português.

O tema investimentos tem ganhado mais espaço nas diversas mídias existentes, mas infelizmente a abordagem de muitas delas está sendo conduzida de forma errada. Acabo de ver uma reportagem no jornal regional da EPTV mostrando um jovem realizando aplicações altamente especulativas em Bolsa de Valores e logo depois um assessor financeiro falando de ganhos de 300% como se fosse algo simples e rápido.

Estas matérias apelativas me entristecem, pois distorcem o que tanto pregamos aqui no Efetividade e em outros blogs: vida frugal, planejamento dos gastos e investimento de parte da renda de hoje visando a independência financeira e uma velhice com dignidade, com recursos suficientes para prover os gastos que só aumentam com a idade. Não existe dinheiro fácil. Todo investimento está atrelado a um risco e quanto maior a possibilidade de retorno maior o risco envolvido.

O melhor conselho que posso lhe dar é para esquecer qualquer falácia que ouvir sobre finanças e investimentos. São pouquíssimos investidores que conseguem vencer o mercado e realizar ganhos expressivos. Não tente, pois você se decepcionará. Ganhos de 5% ao mês não existem. Você poderá conseguir números assim por alguns meses seguidos, mas com toda a certeza o mercado aprontará das suas e o levará a bancarrota.

Estude, estude e estude, tenha disciplina ao investir e seja frugal ao gastar. Estas atitudes sim o levarão a uma vida com menos estresse e a um futuro com dignidade financeira. É triste ver muitos idosos passarem horas na fila do SUS para receberem um atendimento precário. Tenho certeza que você não quer isto para sua velhice, então se programe hoje para o futuro, afinal você é jovem hoje, mas ficará velho.

Minha proposta no texto de hoje é falar sobre diversificação.

A pouca disponibilidade de recursos para investimento não é desculpa para não investir. Como a disponibilidade de recursos de cada um é diferente, sempre falo de porcentagem das receitas, e a recomendação mínima é de 10% delas. Não importa se sua renda é de apenas 1 salário mínimo, você deve economizar e investir ao menos 10% deste valor.

A partir de 3 mil reais já é possível diversificar de maneira satisfatória seus investimentos. Valores menores que este pode ser concentrado numa única classe: renda fixa, mas mesmo assim diversificar entre ativos da classe. Ativos diferentes do tesouro direito podem ser adquiridos: LTN, LFT e NTNB. Como os custos são os mesmos, concentrar os valores num único título público ou diversificar entre as várias modalidades terão basicamente os mesmos custos, sendo assim diversificar é a escolha mais sábia.

Na classe de renda variável meu ativo recomendado é o ETF: PIBB ou BOVA. É importante pagar baixo custo, e baixo custo na minha concepção são valores de até 0,5% do valor investido. Com pouco mais de 1.000 reais é possível realizar a compra de cotas de um ETF, e sabendo escolher a corretora é possível ter um custo final dentro do aceitável.

Uma pergunta comum feita pelos iniciantes é a partir de qual valor é aconselhável se investir em ações. Minha resposta é a partir de 1.000 reais, desde que a corretora cobre até R$ 5,00 de corretagem e isente o cliente da custódia mensal da CBLC. Isto porque o cliente poderá realizar apenas uma compra sem a necessidade de novos aportes mensais. Ele poderá comprar novas ações somente quanto tiver recursos para isto e não terá custo algum nos meses que ficar sem operar.

Agora se você tem apenas 1.000 reais não escolha as ações, elas são investimentos de maior risco. Opte por renda fixa, pelo Tesouro Direto. Para baixos valores títulos públicos é a escolha campeã.

Um investidor com 5 mil reais disponíveis pode investir 2 mil deles no ETF PIBB e 3 mil de maneira diversificada no Tesouro, escolhendo títulos vinculado à taxa SELIC, outros ao IPCA e ainda aqueles com remuneração pré-fixada.

Com 5 mil reais já é possível uma boa diversificação nos investimentos.

Lembro que a exposição de uma carteira à renda variável, que representa maior risco, deve acompanhar a propensão ao risco do investidor alinhada a seus objetivos. Em regra quanto maior for os anos disponíveis para investir mais exposição à renda variável pode haver.

Os Fundos Imobiliários são outra boa alternativa de investimento, eles são negociados em bolsa e pagam rendimentos mensais. Agora para se investir em Fundos Imobiliários com boa diversificação é necessário ter em carteira ao menos 5 títulos, sendo o ideal 10 ou mais (ideia defendida pelo meu amigo Henrique Carvalho). Isto exige mais disponibilidade de dinheiro para atender a dois critérios importantes: diversificação e baixo custo.

O problema de o pequeno investidor ter Fundos Imobiliários em carteira está nos rendimentos recebidos a cada mês: como reinvesti-los? Os valores serão baixos para comprar novas cotas e deixar dinheiro parado na conta da corretora é perder dinheiro, pois ele não rende, só se desvaloriza com a inflação mensal.

Acho bastante interessante os fundos para investidores que vivem da rentabilidade dos investimentos. Na fase de uso dos recursos é bom ter ativos que pague rendimentos mensais.

A alocação de recursos em moeda e ouro eu não recomendo.

A compra de moeda eu aconselho apenas como uma espécie de hedge, para proteger um valor específico a ser usado também para uma finalidade específica numa data futura. Uma viagem para o exterior por exemplo. Nesta circunstância defendo a compra de moeda para garantir o poder de compra e não correr o risco de flutuações cambiais atrapalharem o programado.

Já o metal se valoriza em grandes crises, principalmente quando o risco de calote é eminente. Como o ouro não é fabricado os investidores buscam se proteger em momento de incerteza comprando o metal.

O investidor pode diversificar ainda mais seus recursos investindo em CDBs e LCIs. Para carteiras com valores a partir de 40 mil reais estes investimentos podem apresentar boa rentabilidade com risco baixo. É difícil conseguir boa remuneração em CDBs de grandes bancos quando o valor disponibilizado é menor que 20 mil reais. Quando o valor de aporte é este ou maior o investidor ganha poder de barganha e pode exigir melhores retornos. Já as LCIs, em geral, são disponibilizadas para aportes de 30 mil reais ou mais, é um investimento com lastro em imóveis e de risco baixíssimo. Alguns bancos médios oferecem retornos bem atrativos, acima do CDI, para investidores interessados em LCI.

Conclusão

Investir parte da renda visando independência financeira futura é importante. Diversificar os investimentos para mitigar o risco é fundamental.

Com pouco dinheiro é possível boa diversificação, a dobradinha ETF e Tesouro Direto é bastante satisfatória. Quando o montante começa a crescer já é possível adicionar novos ativos à carteira: FII, CDB e LCI. Moeda e ouro são ativos de proteção e devem ser adquiridos com cuidado.

Boa semana.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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