21 de setembro de 2018

Fuja dos planos de previdência privada: vgbl e pgbl

A Previdência Privada é uma modalidade de investimento que caiu no conhecimento popular pelo grande apelo dos bancos. Mas, raramente é vantajosa ao investidor. A previdência é cara, pois cobra altas taxas de carregamento e administração que mitigam a rentabilidade.

Taxa de carregamento

É a porcentagem do aporte que não será rentabilizada. É o custo inicial do investimento. Por exemplo: num investimento mensal de R$ 500,00 em um Plano de Previdência que tenha taxa de carregamento de 1%, o valor efetivamente investido será de R$ 495,00. Os R$ 5,00, referentes a 1% do valor aportado, referem-se ao custo inicial cobrado pela administradora do plano.

Há planos que não cobram taxa de carregamento, outros chegam a cobrar absurdos 5%.

Taxa de administração

A taxa de administração é expressa por uma taxa anual, porém sua cobrança é diária e incide sobre o montante acumulado. Atenção, a incidência não é somente sobre o lucro, mas sobre o total perfeito. Os valores praticados pelas administradoras de planos são diversos, e são expressos em porcentagem.

Em geral são cobradas taxas entre 1% e 5%.

Independente da rentabilidade a taxa é cobrada; portando, é possível ao final de um período se ter acumulado um montante menor do que o aplicado. Mesmo o fundo tendo prejuízo a taxa de administração é cobrada.

Se a rentabilidade é alta a empresa gestora lucra mais, mas ela também não deixa de ganhar mesmo no prejuízo, onde ela lucra menos, mas mesmo assim obtém ganhos.

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VGBL

O Vida Gerador de Benefício Livre é taxado pelo leão sobre o lucro. Além de pagar taxas de carregamento e administração para a gestora do plano a rentabilidade sofrerá incidência do IR. A cobrança é feita depois de descontados todos os custos.

PGBL

Já o Plano Gerador de Benefício Livre sofre incidência do IR sobre o valor total resgatado. Muito se fala sobre a possibilidade de abatimento de 12% na declaração anual do IR do valor investido no PGBL. Na verdade, esta suposta vantagem, não se concretiza de fato, pois, como a taxação é sobre o total perfeito, e não somente sobre o lucro, o investidor estará apenas postergando o pagamento do imposto de renda, e não de fato tendo uma vantagem tributária.

O PGBL apresentará uma vantagem tributária de fato somente quando o investidor optar pela cobrança do IR sobre a tabela progressiva, e no futuro resgatar valores mensais dentro da faixa de isenção da cobrança de imposto.

O imposto a pagar

Além da escolha entre VGBL e PGBL, ao contratar um Plano de Previdência se faz a escolha de como será a tributação do IR. As opções são duas: pela tabela tradicional progressiva, que possui valores entre 15% e 27,50% a depender do valor; e pela tabela regressiva, onde a taxação do IR é reduzida de acordo com os anos que os valores ficarão aplicados.

até 2 anos – 35%
de 2 a 4 anos – 30%
de 4 a 6 anos – 25%
de 6 a 8 anos – 20%
de 8 a 10 anos – 15%
acima de 10 anos – 10%

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Tanto a escolha do tipo de plano como de tributação é uma escolha definitiva, não podendo haver mudanças. Como investimentos em Previdência Privada tem como foco o longo prazo, é uma decisão que tem que ser tomada hoje, mas que pode se mostrar no futuro a não mais acertada. Esta falta de flexibilidade é uma dificuldade.

Fuja dos planos de previdência

Minha recomendação é fugir de planos de previdência, eles raramente apresentarão vantagens a você. Só vejo vantagens nestes planos quando há uma contrapartida por parte da empresa em que se trabalha como incentivo a poupar. Existem empresas que colaboram em valor igual, ou em porcentagens do valor, como forma de estimular seu colaborador a poupar e investir.

Todo plano de previdência é limitado por lei a investir no máximo 49% dos recursos em renda variável, tendo que investir ao menos 51% em renda fixa. Há planos que investem exclusivamente em ativos de renda fixa, alguns somente em tesouro direto.

Não há dúvida que é mais cômodo programar mensalmente o valor a ser transferido da conta corrente para a conta da administradora do fundo e deixar de se preocupar com investimentos, mas também não há dúvida que esta não é a atitude mais rentável. O preço que se paga ao terceirizar a uma gestora sua aposentadoria é caro, bem caro.

Tomar decisões de investimento quando se deseja bater o mercado não é tarefa fácil, mas para que bater o mercado? O mais acertado é aceitar ser remunerado pela média dele, e para isto eu recomendo a dobradinha ETF + Tesouro Direto. ETF PIBB11 e NTNB-Principal. Com apenas estes dois ativos já se consegue melhor rentabilidade que com os planos de previdência. É claro que o trabalho é um pouco maior, mas a rentabilidade ao final de um longo período será significativa e compensadora.

Boa semana!


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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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