25 de junho de 2019

O cartão de crédito e o cheque especial não são os culpados.

cheque especial 150x150 O cartão de crédito e o cheque especial não são os culpados.A mídia tem jogado toda a culpa do endividamento das famílias no cartão de crédito e cheque especial. Errado, eles não são o problema. Por si só eles não são nem bons ou maus, são neutros. Eles são vítimas dos seus donos. Quando o seu dono é alguém educado financeiramente estas modalidades de crédito são grandes aliados do bom planejamento financeiro, já quando seu dono é um analfabeto financeiro a coisa complica, e quem sai como vilão são os inocentes cartão de crédito e cheque especial.

O cartão de crédito quando usado com sabedoria é amigo do bom planejamento financeiro. Sua fatura apresenta o valor e data do gasto facilitando assim o controle das despesas.

Ele também é um terror e pode destruir a vida financeira de uma pessoa quando é usado de forma indiscriminada, sem planejamento e por impulso. O juro cobrado quando a fatura não é paga na data de forma integral é o maior do Brasil. Uma dívida realizada e esquecida feita no crédito pode dobrar em 5 meses.

O cartão de crédito só deve ser usado por pessoas equilibradas financeiramente. O melhor é se livrar dele caso este não seja o seu caso.

Já o cheque, por legislação, é uma ordem de pagamento à vista. Na prática é uma nota promissória. Cheques pré-datados são comuns. O problema é seu uso sem planejamento. A realização de compras com cheque pré em várias parcelas e o esquecimento por parte da pessoa. É triste, mas muitos não se lembram de nem mesmo o que parcelaram e só se dão conta da despesa a pagar quando o cheque é compensado e não há saldo suficiente em conta corrente. O valor cai no “especial”, no limite que seu banco lhe concede e que você na verdade não possui. Ele é especial para quem? Para o cliente que não é; é especial apenas para o banco que fatura milhões de clientes que não se planejam e pagam todos os meses juros absurdos.

Também existem aquelas pessoas que fazem do limite uma continuidade do salário. E isto nada tem haver com a condição financeira que possuem, simplesmente ao verem um valor de limite em suas contas, acreditam que não se faz necessário planejamento; o amigo banco irá pagar caso não se tenha saldo, afinal sou cliente especial.

Temos que parar de jogar a culpa do alto endividamento para as modalidades de crédito e assumir as consequências de viver uma vida sem controle financeiro. Enquanto isto continuar acontecendo estaremos sempre endividados. Pagaremos juros, ficaremos cada vez mais pobres e continuaremos culpando o capitalista inescrupuloso e o governo que nada faz para nos ajudar.

O brasileiro é reclamão demais. Nunca é o responsável, sempre é o outro.

2011 está acabando e lhe faço um desafio: assuma o controle de sua vida em todos os sentidos. Faça suas escolhas e arque com as consequências positivas e negativas delas. Não espere pelo governo, não culpe seu patrão, esposa, marido ou filhos. Você é o único responsável por sua vida estar do jeito que está.

Boa semana.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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