17 de fevereiro de 2019

O custo da ineficiência

O Brasil é um país corrupto.

Mas a corrupção não é o maior problema brasileiro. Nossa ineficiência gera perdas muito maiores que a corrupção.

Mas pouco se fala do custo da ineficiência.

De acordo com dados de uma pesquisa da FIESP, dados de 2010, o dinheiro que perdemos com a corrupção representa 1,38% do PIB.

Já o custo logístico brasileiro, e aí os dados são do Banco Mundial e de 2007, representa 15,4% do PIB.

O custo logístico nos EUA representa 8,5% do PIB.

A nossa ineficiência logística apresenta uma perda muito maior que o da corrupção.

O custo da corrupção é por deslize moral, já o alto custo logístico pode ser creditado às más políticas administrativas, tanto das empresas públicas como das privadas. Também não podemos deixar de destacar a nossa infraestrutura que encarece, e muito, o custo logístico das organizações.

Para a melhora deste cenário é fator preponderante fortes investimentos em educação e em infraestrutura.

A gestão da cadeia de suprimentos

A cadeia de suprimentos são todos os agentes envolvidos na criação e desenvolvimento de um produto ou serviço. São todos os envolvidos em colocar o produto certo, na hora certa, no lugar certo e por um preço que o consumidor esteja disposto a pagar.

As organizações precisam ter uma cadeia de suprimentos integrada como um fator estratégico fundamental. Assim reduzem custos e aumentam a lucratividade.

logistica 300x238 O custo da ineficiência

Altos estoques

A filosofia japonesa Just in Time defende estoques zero, tanto de produtos acabados como de matéria prima. Algo impossível de acontecer de fato.

Mas altos estoques encarecem o preço do produto final. Um estoque de segurança se faz necessário, mas muitas organizações não tem noção da demanda para assim definir um estoque de segurança.

Lembro-me de uma empresa que trabalhei. Uma distribuidora de alimentos. Ela tinha em estoque fermento suficiente para suprir seus clientes nos próximos 17 anos de acordo com a média histórica de vendas do produto.

Quando comecei um trabalho visando reduzir custos com a diminuição dos estoques, fizemos um estudo da média de vendas e do crescimento estimado da demanda. Definimos uma margem de segurança, não me lembro de quanto, e assim redefinimos a quantidade de cada um dos produtos, eram mais de 500 itens, em estoque. Reduzimos o volume do estoque em mais de 40%. Isto representou uma economia, e consequentemente aumento da margem de lucro.

Gastos desnecessários

Recentemente a prefeitura da minha cidade rebaixou todas as guias das calçadas do centro da cidade, dezenas de ruas, para supostamente permitir o acesso à calçada de cadeirantes.

Dinheiro jogado fora.

De nada adianta guias rebaixadas se a calçada é toda irregular e não tem uma superfície uniforme que permita um cadeirante deslizar sua cadeira.

Retrabalho

O custo do retrabalho também é grande.

Recentemente a mesma prefeitura retirou o asfalto das principais ruas e avenidas da cidade para colocar asfalto novo.

Não foi um simples recapeamento, foi a retirada de toda a camada do asfalto velho e colocação de um novo.

O trabalho realmente precisava ser feito.

Mas em uma das avenidas o trabalho precisou ser feito duas vezes. Isto porque logo depois de pronto foi detectado que havia vazamento de água, havia encanamento furado.  Voltou a tirar o asfalto novinho, arrumar a tubulação e asfaltar novamente.

O custo de material, trabalhadores e tempo foi dobrado. Fora a perda dos lojistas que possuem comércio na rua que foram ainda mais prejudicados.

Um planejamento deve ser holístico e integrado.

A equipe do asfalto esqueceu que abaixo dele há tubulação. Já o pessoal de água e esgoto deve conciliar a manutenção preditiva com a logística de manutenção do asfalto, assim ganham tempo e economizam nosso dinheiro.

Sim, a corrupção é um problema crônico a ser extirpado, mas não é ele que resolverá nossos principais problemas. Precisamos de fato melhorar nossa efetividade e isto só é conseguido com educação.

Bom final de semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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