19 de abril de 2019

Onde investir dinheiro

A pergunta que aqueles que trabalham com finanças mais ouvem é: Qual o melhor investimento?

A resposta nunca é simples, sempre é complexa. Que existem diversos produtos no mercado cada um visando atender a um perfil de investidor. Que o melhor investimento irá depender de diversos fatores; como a estabilidade no emprego, o objetivo, a idade, existência de reserva de emergência, cônjuge e filhos, aversão ao risco, empregabilidade do investidor, conhecimento do mercado financeiro…

Mas o artigo de hoje tem como finalidade mostrar algumas possibilidades a partir de alguns cenários imaginados.

No curto prazo

Se o objetivo tem data certa no curto prazo ser conversador é a regra. A maior preocupação é proteger os valores investidos da inflação, e investir em títulos lastreados na taxa básica de juros da economia é o recomendável. NTNB e LFT com vencimento próximo do compromisso ou CDB que remunere ao menos em 90% do CDI.

E a caderneta de poupança?

Com a SELIC em 7,25% a remuneração da poupança não protegerá os valores aplicados da inflação. Neste momento sua única vantagem é a liquidez imediata, pois você pode reaver o valor investido a qualquer momento.

No tesouro direto a liquidez é semanal e no CDB dependerá do contrato firmado com o banco.

No médio prazo

Quando o horizonte para uso dos valores é mais dilatado, acima de 4 anos e menor que 10, já é possível ser um pouco menos conversador e aplicar recursos em fundos imobiliários. Negociar um CDB com liquidez apenas no vencimento dá margem para conseguir uma melhor remuneração.

Os fundos imobiliários são investimentos relativamente novos e que nos últimos três anos se tornaram mais conhecidos. São investimentos lastreados em ativos físicos reais e, portanto menos arriscados que as ações. Mas são ativos de renda variável e devido ao risco apresentam maior volatilidade.

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Um CDB sem liquidez diária, ou seja, onde o valor aplicado mais o juro não podem ser reavidos antes da data de vencimento é uma escolha acertada, pois bancos costumam remunerar melhor os clientes que não precisam de liquidez. Se a economia e o investimento estiverem sendo feitos para um evento específico com data marcada: viagem, casamento, aniversário, o CDB é uma boa escolha, pois é relativamente seguro e se bem negociável perfaz ganhos acima da inflação.

Longo prazo

É claro que o perfil do investidor deve ser considerado. Mas com um horizonte de tempo acima de 10 anos recomendo agressividade. Investir fortemente em ações, até mesmo 100% do valor.

Minha recomendação é começar a migração de ativos mais arriscados (voláteis) para os menos arriscados quando o evento que consumirá os recursos estiver se aproximando. Nos anos finais.

Se as aplicações visam o viver de renda ao se aposentar recomendo a migração para ativos menos voláteis 5 anos antes da aposentadoria.

Mas volto a repetir, tudo é uma questão de perfil, conhecimento e dependência do dinheiro. Uma pergunta a se fazer é: Se no momento que foi planejado para o início da retirada for de baixa na bolsa e, portanto ruim para saídas, você poderá esperar mais 1 ou 2 anos? Se a resposta for ‘não’, é recomendável ser mais conversador.

Ainda minha recomendação no mercado acionário é o investimento passivo através dos fundos de índices, os ETFs. Leia textos sobre eles clicando aqui, aqui e aqui.

Conclusão

Investir não é algo difícil, mas é complexo pela gama de possibilidades com vista ao perfil de cada investidor. Conhecer o seu perfil e ter objetivos claros é a primeira coisa a se fazer. Investir é uma segunda etapa.

Muitos só descobrem que não tem perfil agressivo ao perderem dinheiro, ao verem seus investimentos perderem 20%, 30% de valor de mercado.

A busca do conhecimento deve ser constante, pois mudanças no cenário macroeconômico transformam boas opções em não tão boas. O contrário também é verdadeiro.

Boa semana!

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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