25 de junho de 2019

Os números provam que o Brasil está quebrado

Eu desejo entender a lógica daqueles que defendem os gastos irracionais do governo. A causa pode até ser nobre, mas é pouco inteligente. Os números provam que o Brasil está quebrado.

O governo gasta mais do que expropria em tributos e para fechar a conta emite títulos públicos, ou seja, rola a dívida. A dívida aumenta ano após ano e está hoje (março/2014) em 2,1 trilhões de reais. Ela era cerca de 800 bilhões quando o PT assumiu a presidência. Triplicou. Neste período (2003/2013) o crescimento médio do PIB foi de 3,64% e o aumento da dívida de 9%.

O PIB de 2013 foi de 4,84 trilhões e nossa dívida representa 42,6% desse valor.

Nossa carga tributária passa de 36% do PIB. Comparando com os demais países do BRICS, temos: Rússia (23%); Índia (13%); China (20%) e África do Sul (18%). Pagamos muito e recebemos pouco em infraestrutura, educação, saúde e saneamento básico. Recente pesquisa mostrou que o Brasil, entre os 30 países analisados, aqueles de maior carga tributária, possui o pior retorno à população.

Esta jornada é insustentável. Caso estivéssemos nos endividando para adquirir conhecimento e aumentar a produtividade das pessoas e das empresas poderíamos alegar que no futuro o déficit fiscal irá ser compensado com maior produtividade. Mas não, nosso gasto é em consumo. É realmente gasto e não investimento.

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Em 2014 a previsão é que de todos os tributos arrecadados mais de 42% sejam usados para pagar juros e amortizar nossa dívida, e mais de 20% sejam gastos com a previdência social. Somados passam de 62% de tudo que será tomado de nós através de impostos.

O INSS é um problema grasso. Em 1950 havia oito pessoas trabalhando para cada uma aposentada. Em 1970 esta relação caiu para 4,2 e hoje (2014) já é menor que dois trabalhadores para cada aposentado.

A constituição de 1988 trouxe mais vantagens ao trabalhador, o seguro desemprego por exemplo. O Problema é que o sistema é crônico e em 2013 apresentou um déficit de 50 bilhões. O rombo em 2014 será ainda maior.

Por volta de 1950 uma pessoa vivia cerca de 5 anos após sua aposentadoria. Hoje se vive mais de 35 anos. A conta não fecha. É matemática básica.

De 2012 para 2013 o déficit subiu quase 20%.

O que fazer?

Facilitar a importação de tecnologia que aumente nossa produtividade; incentivar o investimento (empreendedorismo) com menos burocracia, impostos e regulamentações; investir em educação.

Com menos burocracia e agencias reguladoras se teria menos gastos, o que permitiria uma redução de impostos.

Com tecnologia de ponta, profissional capacitado e facilidade para abrir um negócio a economia se movimenta e a produtividade aumenta. A oferta é consequência e o preço cai por dois motivos: menores custos de produção e maior concorrência, o que obriga o capitalista a reduzir sua margem de lucro. Como reflexo a inflação é arrefecida.

O problema é que o resultado não é imediato. Arrumar a casa dá trabalho e é preciso coragem e disposição política para fazer. Mas o nosso modelo político partidário eleitoral favorecesse o conchavo, o acordo, a troca de favores. Para se chegar ao poder já se fez pacto com tanta gente que não sobra mais dinheiro para nada. Toda a receita já tem destino. E olha que não estou nem pontuando a corrupção.

E mesmo que não fosse assim, o dinheiro não é suficiente, pois produzimos pouco. Nosso PIB per capita de 2013 foi menos de R$ 24 mil.

E o grande problema é exatamente esse: a política. Precisamos acabar com este paradigma.

Sinceramente não vejo como. Nem se discutir um modelo diferente do vigente é possível. A visão marxista e keynesiana prevalece. Todos os partidos recorrem a déficit fiscal e endividamento via títulos públicos. Não existe um único partido que partilhe de uma visão administrativa/econômica diferente.

Eu já cansei de ver tudo errado e aqueles que mais precisam da mudança achar que ele, os políticos, governam pensando neles.

Político governa com apenas um pensamento: permanecer no poder. Todas as benesses que ele faz no presente não visam o melhor para a sociedade, visam apenas à próxima eleição. Não se iluda.

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Jônatas Rodrigues da Silva

Administrador na Universidade Federal de São Carlos e professor do Estado de São Paulo no Centro Paula Souza. Autor do livro Método para a Educação Financeira: da Sensibilização à Ação.

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